Catena Zapata: toda a história.
Contexto histórico: imigração Brasil X Argentina. As diferenças e semelhanças entre a imigração pra a Argentina e Brasil. A seguir está o quadro histórico-literário comparativo entre Brasil e Argentina sobre a distribuição de terras, imigração europeia e exclusão social, no contexto da formação da viticultura e do pós-escravidão.Escrevi (ao menos tentei) em estilo narrativo-literário com base histórica com citações reais e ambientação de época. Nota do Negão: não leia com viés político, atenha-se aos fatos, foi o que fiz. Os erros do passado ficaram no passado. Exceto a minha forma de usar o hífen e outras regras do novo acordo ortográfico, criado para nivelar por baixo a língua pátria. Fui do movimento negro e isso me incomodava bastante, mas isso ficou no passado, eu tinha 20 e poucos anos, sabia nada da vida. Hoje sou libertário e entendo que quem faz um país ir pra frente é o seu povo, não o seu governo. Quadro Histórico-Literário Comparativo Brasil e Argentina: A Terra, o Imigrante e o Excluído (1850–1910) 🇧🇷 Brasil: A Terra Prometida que Nunca Veio “Sem terras, sem casa e sem pão — mas livres.”— Jornal Gazeta da Tarde, 1888. O ano de 1888 encerrou oficialmente a escravidão no Brasil, mas a liberdade chegou sem chão onde se deitar.Os ex-escravizados, recém-libertos, vagavam pelos caminhos de terra batida, olhando as fazendas que ajudaram a erguer e das quais agora eram expulsos.As Leis de Terras (1850) e de Imigração (1879) haviam sido escritas para outros olhos: os do europeu recém-chegado, branco e alfabetizado. Nas colônias do Sul, o governo brasileiro anunciava: “Colonos europeus terão lotes de terras férteis, ferramentas e sementes fornecidas pelo Império.”— Relatório do Ministério da Agricultura, 1878. Enquanto isso, os libertos que sonhavam com o próprio pedaço de chão encontravam barreiras de tinta e papel: o título de propriedade custava caro, e o Estado negava crédito aos “incapazes”. O resultado foi uma liberdade sem cidadania.Muitos permaneceram como meeiros, jornaleiros ou moradores de favor nas mesmas fazendas onde antes eram escravos.Outros fugiram para as periferias das cidades ou formaram quilombos livres, herdeiros da resistência africana. E foi nesse vácuo social que os imigrantes italianos chegaram ao Rio Grande do Sul, carregando nas malas estacas de videira e o sonho do pequeno vinhedo familiar.O governo lhes deu terra, enquanto negava chão àqueles que haviam construído o país. Argentina: A Pátria dos Colonos “Gobernar es poblar.”— Juan Bautista Alberdi, 1853. Na Argentina, a história seguiu outro rumo.Com a escravidão praticamente extinta desde 1813, o problema não era libertar corpos, mas povoar vazios.Os pampas e vales andinos, tidos como “desertos”, foram o alvo da política nacional: encher o território de europeus que lavrassem, colhessem e fundassem vilas. Em Mendoza, San Juan e Córdoba, o governo traçou linhas retas sobre o mapa e distribuiu lotes a italianos, espanhóis e suíços.O imigrante era visto como “o sangue novo da civilização”, enquanto os povos indígenas eram expulsos ou dizimados na Conquista del Desierto (1879–1885). “La tierra es del que la trabaja, pero el indio no trabaja.”— General Julio A. Roca, 1880. O projeto argentino foi brutal, mas eficaz.Entre 1880 e 1914, 3,5 milhões de europeus desembarcaram no país, e muitos se tornaram proprietários rurais.Em Mendoza, surgiram as primeiras bodegas modernas — Trapiche, Norton, Bianchi — erguidas por famílias de imigrantes que recebiam terras e crédito. O Estado argentino construiu uma nação agrícola, branca e instruída, à custa da exclusão indígena.O brasileiro, uma nação desigual, à custa da exclusão negra. Síntese Comparativa Elemento 🇧🇷 Brasil 🇦🇷 Argentina Estrutura social após 1880 Ex-escravizados sem acesso à terra População reduzida, incentivo à imigração Políticas de colonização Dirigidas a europeus; exclusão racial Dirigidas a europeus; exclusão indígena Distribuição de terras Limitada às elites e imigrantes Planejada pelo Estado Base da viticultura Colonos italianos no Sul (Caxias, Bento Gonçalves) Colonos italianos e espanhóis em Mendoza e San Juan Resultado social Desigualdade e marginalização dos libertos Classe média agrícola forte Frase que resume o projeto “Modernizar substituindo o negro.” “Povoar substituindo o índio.” Resumindo… Enquanto o Brasil olhava para trás e temia o passado, a Argentina olhava para a frente e redesenhava o mapa.Ambos pagaram um preço: um pela injustiça racial, o outro pela violência colonial.E é nas colinas de Bento Gonçalves e nos vales de Mendoza que o eco dessas decisões ainda ressoa — em cada taça, um pouco de terra e de história, fermentadas pela memória dos que não foram convidados à mesa. Nota do Negão: visitei vinícolas do Chile há alguns anos e reparei que em vinícolas de dono europeu não trabalhavam indígenas e vice versa. Agora entendi o motivo: algo parecido com a Guerra do Deserto também aconteceu lá. O povo Mapuche recebeu o mesmo destino dos índios da Argentina e do sul do Brasil. Mas o que aconteceu com os negros da Argentina? O país que chegou a ter mais de 50% de sua população de negros escravizados, hoje tem menos de 2%. Como esse não é o tema da postagem eu vou resumir: foram mandados pras frentes de batalhas contra os ingleses com a promessa de libertação pós conflito, foram jogados em guetos e impedidos de sair por receio de que espalhassem a febre amarela, fugiram para o Uruguai, Paraguai e Sul do Brasil e por último, mas não menos importante, seus filhos com europeus eram registrados como brancos. Se quiser saber mais sobre o tema, leia este artigo. “No caso do Chile, as tensões a respeito dos indígenas, mais uma vez,principalmente sobre os mapuche, ultrapassaram as fronteiras dos discursos historiográficos,devido à onipresença do tema entre viajantes naturalistas do século XIX, pintores, litógrafos,fotógrafos, etnógrafos, literatos e diversos outros personagens que se viram envolvidos noprocesso de luta por parte do Estado nacional chileno em controlar e, para usar uma expressãomuito cara ao período, “pacificar” aquelas populações que eram vistas como obstáculos eempecilhos para a expansão da chamada “civilização”, mais enfaticamente durante a segundametade do século XIX e primeira década do século XX.’ MATEUS FÁVARO REIS – Identidades e alteridades no Chile: historiografia, ensaios e fotografias … Ler mais