Eduardo Sabino - Vinhos do Negão

Catena Zapata: toda a história.

Contexto histórico: imigração Brasil X Argentina. As diferenças e semelhanças entre a imigração pra a Argentina e Brasil. A seguir está o quadro histórico-literário comparativo entre Brasil e Argentina sobre a distribuição de terras, imigração europeia e exclusão social, no contexto da formação da viticultura e do pós-escravidão.Escrevi (ao menos tentei) em estilo narrativo-literário com base histórica com citações reais e ambientação de época. Nota do Negão: não leia com viés político, atenha-se aos fatos, foi o que fiz. Os erros do passado ficaram no passado. Exceto a minha forma de usar o hífen e outras regras do novo acordo ortográfico, criado para nivelar por baixo a língua pátria. Fui do movimento negro e isso me incomodava bastante, mas isso ficou no passado, eu tinha 20 e poucos anos, sabia nada da vida. Hoje sou libertário e entendo que quem faz um país ir pra frente é o seu povo, não o seu governo. Quadro Histórico-Literário Comparativo Brasil e Argentina: A Terra, o Imigrante e o Excluído (1850–1910) 🇧🇷 Brasil: A Terra Prometida que Nunca Veio “Sem terras, sem casa e sem pão — mas livres.”— Jornal Gazeta da Tarde, 1888. O ano de 1888 encerrou oficialmente a escravidão no Brasil, mas a liberdade chegou sem chão onde se deitar.Os ex-escravizados, recém-libertos, vagavam pelos caminhos de terra batida, olhando as fazendas que ajudaram a erguer e das quais agora eram expulsos.As Leis de Terras (1850) e de Imigração (1879) haviam sido escritas para outros olhos: os do europeu recém-chegado, branco e alfabetizado. Nas colônias do Sul, o governo brasileiro anunciava: “Colonos europeus terão lotes de terras férteis, ferramentas e sementes fornecidas pelo Império.”— Relatório do Ministério da Agricultura, 1878. Enquanto isso, os libertos que sonhavam com o próprio pedaço de chão encontravam barreiras de tinta e papel: o título de propriedade custava caro, e o Estado negava crédito aos “incapazes”. O resultado foi uma liberdade sem cidadania.Muitos permaneceram como meeiros, jornaleiros ou moradores de favor nas mesmas fazendas onde antes eram escravos.Outros fugiram para as periferias das cidades ou formaram quilombos livres, herdeiros da resistência africana. E foi nesse vácuo social que os imigrantes italianos chegaram ao Rio Grande do Sul, carregando nas malas estacas de videira e o sonho do pequeno vinhedo familiar.O governo lhes deu terra, enquanto negava chão àqueles que haviam construído o país. Argentina: A Pátria dos Colonos “Gobernar es poblar.”— Juan Bautista Alberdi, 1853. Na Argentina, a história seguiu outro rumo.Com a escravidão praticamente extinta desde 1813, o problema não era libertar corpos, mas povoar vazios.Os pampas e vales andinos, tidos como “desertos”, foram o alvo da política nacional: encher o território de europeus que lavrassem, colhessem e fundassem vilas. Em Mendoza, San Juan e Córdoba, o governo traçou linhas retas sobre o mapa e distribuiu lotes a italianos, espanhóis e suíços.O imigrante era visto como “o sangue novo da civilização”, enquanto os povos indígenas eram expulsos ou dizimados na Conquista del Desierto (1879–1885). “La tierra es del que la trabaja, pero el indio no trabaja.”— General Julio A. Roca, 1880. O projeto argentino foi brutal, mas eficaz.Entre 1880 e 1914, 3,5 milhões de europeus desembarcaram no país, e muitos se tornaram proprietários rurais.Em Mendoza, surgiram as primeiras bodegas modernas — Trapiche, Norton, Bianchi — erguidas por famílias de imigrantes que recebiam terras e crédito. O Estado argentino construiu uma nação agrícola, branca e instruída, à custa da exclusão indígena.O brasileiro, uma nação desigual, à custa da exclusão negra. Síntese Comparativa Elemento 🇧🇷 Brasil 🇦🇷 Argentina Estrutura social após 1880 Ex-escravizados sem acesso à terra População reduzida, incentivo à imigração Políticas de colonização Dirigidas a europeus; exclusão racial Dirigidas a europeus; exclusão indígena Distribuição de terras Limitada às elites e imigrantes Planejada pelo Estado Base da viticultura Colonos italianos no Sul (Caxias, Bento Gonçalves) Colonos italianos e espanhóis em Mendoza e San Juan Resultado social Desigualdade e marginalização dos libertos Classe média agrícola forte Frase que resume o projeto “Modernizar substituindo o negro.” “Povoar substituindo o índio.” Resumindo… Enquanto o Brasil olhava para trás e temia o passado, a Argentina olhava para a frente e redesenhava o mapa.Ambos pagaram um preço: um pela injustiça racial, o outro pela violência colonial.E é nas colinas de Bento Gonçalves e nos vales de Mendoza que o eco dessas decisões ainda ressoa — em cada taça, um pouco de terra e de história, fermentadas pela memória dos que não foram convidados à mesa. Nota do Negão: visitei vinícolas do Chile há alguns anos e reparei que em vinícolas de dono europeu não trabalhavam indígenas e vice versa. Agora entendi o motivo: algo parecido com a Guerra do Deserto também aconteceu lá. O povo Mapuche recebeu o mesmo destino dos índios da Argentina e do sul do Brasil. Mas o que aconteceu com os negros da Argentina? O país que chegou a ter mais de 50% de sua população de negros escravizados, hoje tem menos de 2%. Como esse não é o tema da postagem eu vou resumir: foram mandados pras frentes de batalhas contra os ingleses com a promessa de libertação pós conflito, foram jogados em guetos e impedidos de sair por receio de que espalhassem a febre amarela, fugiram para o Uruguai, Paraguai e Sul do Brasil e por último, mas não menos importante, seus filhos com europeus eram registrados como brancos. Se quiser saber mais sobre o tema, leia este artigo. “No caso do Chile, as tensões a respeito dos indígenas, mais uma vez,principalmente sobre os mapuche, ultrapassaram as fronteiras dos discursos historiográficos,devido à onipresença do tema entre viajantes naturalistas do século XIX, pintores, litógrafos,fotógrafos, etnógrafos, literatos e diversos outros personagens que se viram envolvidos noprocesso de luta por parte do Estado nacional chileno em controlar e, para usar uma expressãomuito cara ao período, “pacificar” aquelas populações que eram vistas como obstáculos eempecilhos para a expansão da chamada “civilização”, mais enfaticamente durante a segundametade do século XIX e primeira década do século XX.’ MATEUS FÁVARO REIS – Identidades e alteridades no Chile: historiografia, ensaios e fotografias … Ler mais

História e Evolução da Viticultura no Brasil

1- As Primeiras Videiras: Período Colonial (1500–1800). A viticultura brasileira começou logo após a chegada dos portugueses. 1532: As primeiras mudas de videira chegaram com Martim Afonso de Sousa, em São Vicente (SP), vindas da Ilha da Madeira e de Portugal.O clima tropical úmido da costa, porém, não favoreceu o cultivo — as uvas não amadureciam bem, e as doenças fúngicas eram frequentes. Pequenos experimentos continuaram em Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro, mas sem sucesso comercial. Contexto: Os colonizadores buscavam reproduzir hábitos europeus, incluindo o consumo de vinho, mas as condições climáticas e o foco econômico no açúcar e no ouro deixaram a viticultura em segundo plano. 2- Os imigrantes. Resumo: A expansão aconteceu com os Jesuítas e o Sul do Brasil (Século XIX), mas o verdadeiro impulso veio com imigrantes europeus, principalmente italianos e portugueses, que chegaram ao sul no final do século XIX. 1875: Imigrantes italianos se estabeleceram em Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Garibaldi (RS), trazendo castas europeias (Vitis vinifera) e técnicas tradicionais. Como o clima ainda era desafiador, eles adaptaram-se com híbridos e uvas americanas, como Isabel e Concord, mais resistentes. Resultado: Nasceu a vitivinicultura colonial gaúcha, com forte caráter familiar e comunitário. O vinho era artesanal, produzido em pipas de madeira e consumido localmente. A história completa, pesquisada por 3 dias, você encontra no final desta postagem. . 3- A Industrialização do Vinho Brasileiro (1900–1970). Com o crescimento urbano e o surgimento de cooperativas, o setor começou a se organizar. 1910–1930: Criação das primeiras cooperativas vinícolas, como a Garibaldi e a Aurora, fortalecendo a produção e comercialização. Década de 1930: O governo Vargas incentivou a agroindústria, e o vinho começou a ser produzido em escala industrial. A base ainda era uvas americanas e híbridas, resultando em vinhos simples e doces, populares, mas de baixa qualidade internacional. Marco: O vinho brasileiro passou de artesanal para industrial, mas ainda sem reconhecimento de qualidade fora do país. 4- Revolução Qualitativa (1970–1990). O grande salto aconteceu nas décadas de 1970 e 1980. Multinacionais como Chandon, Martini & Rossi e Moët & Chandon se instalaram no país, especialmente no Vale dos Vinhedos. Houve introdução de tecnologia moderna, tanques de aço inox, controle de temperatura e uvas viníferas europeias (Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay).Surgiram vinícolas focadas na qualidade e no terroir, como Miolo, Salton e Casa Valduga. Destaque: O Brasil começou a produzir espumantes de excelente qualidade, especialmente no Rio Grande do Sul — um segmento que até hoje é o carro-chefe nacional. 5- Expansão Geográfica e Reconhecimento Internacional (1990–atualidade). A viticultura brasileira expandiu-se para novas regiões com diferentes microclimas e altitudes: Serra Gaúcha (RS): Centro histórico e principal polo de produção. Campanha Gaúcha: Clima mais seco, ideal para tintos encorpados. Planalto Catarinense (SC): Produz vinhos finos de altitude, com destaque para Pinot Noir e Sauvignon Blanc. Vale do São Francisco (PE/BA): Produção tropical com duas safras por ano, único caso no mundo. Sul de Minas, Espírito Santo e São Paulo: Regiões emergentes e experimentais. 6- A primeira DO. Criação da Indicação de Procedência do Vale dos Vinhedos, a primeira do Brasil.2012. O Vale dos Vinhedos recebe Denominação de Origem (DO).Vinhos brasileiros começaram a ganhar premiações internacionais, especialmente os espumantes. 7- O Vinho Brasileiro no Século XXI. Hoje, o Brasil é reconhecido como um produtor moderno, diversificado e inovador, com foco em qualidade, sustentabilidade e enoturismo. 8- Tendências atuais. Vinhos naturais e de mínima intervenção. Adoção de práticas orgânicas e biodinâmicas. Crescimento do enoturismo nas rotas do vinho. Expansão do consumo interno e exportações crescentes. 9- Conclusão. A viticultura brasileira percorreu um longo caminho — das tentativas frustradas no litoral às vinícolas premiadas mundialmente. O país se consolidou como um novo terroir do Novo Mundo, combinando tradição europeia e inovação tropical. Os Mitos sobre a imigração italiana. A historia completa. “A Itália que hoje conhecemos, criada a partir de 1870, vivia dias de miséria, incertezas e amargura. Atravessar o Atlântico e ter um punhado de terra só seu – de onde pudesse tirar o sustento de sua família – era o sonho dourado de milhares de italianos. As duas necessidades se completaram entre os anos de 1870 e 1875. Assim, o exército brasileiro mapeia uma grande porção de terra na Serra Gaúcha, traça estradas, divide lotes com tamanhos diversos e inicia a venda desses lotes às famílias italianas, que tinham 12 anos para pagarem por essas terras.” Essa é a versão mais encontrada na internet, confirma a que sempre ouvi em salas de aulas. Mas será que ela é condiz com a verdade? Pesquisei usando as IAs: ChatGPT e Gemini, pedi as fontes primárias, traduzi e li. Esse é o marco principal, o mais importante mesmo, da nossa viticultura precisava ser passado a limpo com fidelidade aos fatos históricos. A minha conclusão foi essa. A Itália e o Sonho do Novo Mundo A Itália que emergia após a unificação de 1870 era um país jovem, fragmentado e pobre. Entre montanhas e campos esgotados, famílias inteiras viviam dias de miséria e incerteza. A fome, os impostos altos e a falta de terras alimentavam um sonho que cruzava oceanos: o de possuir um pedaço de chão próprio, onde o trabalho rendesse sustento e dignidade. Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, o Império do Brasil buscava povoar o Sul e substituir a mão de obra escrava por agricultores livres. A oportunidade de ambos os mundos se encontraria na Serra Gaúcha. Entre 1870 e 1875, engenheiros e militares brasileiros mapearam a região, abriram picadas, traçaram estradas e dividiram as encostas em lotes de tamanhos variados. Esses lotes foram então oferecidos às famílias italianas, com condições facilitadas e prazos de até doze anos para pagamento. Foi assim que milhares de imigrantes — vindos principalmente do norte da Itália — embarcaram rumo a um destino incerto, mas repleto de esperança. Cada um deles trazia na bagagem mais do que ferramentas: trazia o sonho de recomeçar. Explicando: por que terras para imigrantes e a situação dos escravos libertos. Há vários fatores que ajudam a explicar … Ler mais

Pêra Manca tinto 2019 será lançado no Rio.

Vou explicar as diferenças entre o Pêra Manca e o Cartuxa Reserva, onde será lançado e se ele foi bebido por Pedro Álvarez Cabral no brasil. Finalmente a nova safra! A safra mais recente do vinho Pêra Manca Tinto disponível para lançamento e venda é a de 2019 (a anterior foi a 2018) A Adega Cartuxa (Fundação Eugénio de Almeida) anunciou o lançamento desta nova colheita agora, outubro de 2025. O lançamento, pela primeira vez fora de Portugal, será no Rio de Janeiro. Será na Mercearia da Praça, no dia 10 de novembro de 2025. As vagas para o jantar são limitadas, com reservas pelo telefone (21) 3986-1400 e WhatsApp: (21) 97565-0774. O preço é R$ 590 + 10%. O endereço é Rua Jangadeiro 28, Praça General Osório, Ipanema. Informações Importantes sobre o Pêra Manca Tinto: Como o Pêra Manca é um vinho icônico e de colecionador, as garrafas das safras anteriores (como 2018 e 2015) ainda são comercializadas em lojas especializadas e leilões, mas a safra mais nova é, de fato, a 2019. Pêra Manca produzido pela Casa Agrícola José Soares. A Casa Agrícola José Soares é fundamental na história do vinho Pêra Manca. O Papel Histórico da Casa Agrícola José Soares O nome Pêra Manca tem uma história que remonta à Idade Média, ligado aos frades do Convento do Espinheiro (perto de Évora), mas a Casa Agrícola José Soares é a responsável por resgatar e solidificar a marca na era moderna antes da Adega Cartuxa (Fundação Eugénio de Almeida) assumir. Aqui está o resumo do papel da Casa Agrícola José Soares: Portanto: A Casa Agrícola José Soares foi a grande responsável por firmar o Pêra Manca como um rótulo de excelência na história vinícola portuguesa moderna, servindo como o elo entre a tradição medieval e a produção contemporânea de altíssima qualidade feita pela Adega Cartuxa. O Impacto da filoxera na Casa Agrícola José Soares A crise da Filoxera, combinada com outros fatores (como a morte do proprietário Conselheiro José António d’Oliveira Soares em 1920), tornou inviável manter a produção do Pêra Manca: A Solução (e o Legado) A única solução encontrada, que salvou a viticultura mundial, foi a enxertia: Após a crise, a Adega Cartuxa (que recebeu a marca Pêra Manca em 1987) pôde replantar os vinhedos usando essa técnica, garantindo a continuidade da produção do vinho lendário. Portanto, a Filoxera não só encerrou a era da Casa Agrícola José Soares na produção do Pêra Manca, como reescreveu a maneira como o vinho é produzido em quase todo o mundo. A origem do nome. ‘As pedras que balançam.” “Pêra vem de pedra e o manca é uma referência as cercanias de Évora, que é uma zona de base granítica, com afloramentos rochosos de granito de grande dimensão, que muitas vezes tem uma base de ligação ao solo diminuta para o tamanho da pedra e por ilusão de ótica parecem estar oscilantes”, explica Pedro Baptista, enólogo do Pêra-Manca. Pedro Álvarez Cabral trouxe o Pêra Manca para o Brasil? Essa é uma das lendas mais famosas e fascinantes da história do vinho português no Brasil, contada no próprio site da Fundação Eugênio Almeida. O que une o vinho Pêra Manca e o navegador Pedro Álvares Cabral é uma lenda histórica muito difundida, ligada à Era dos Descobrimentos. A Lenda do Pêra Manca e a Descoberta do Brasil A narrativa histórica popular diz que o Pêra Manca, um vinho já renomado em Portugal no século XVI, era o vinho de eleição (ver glossário no final da postagem) transportado nas naus de Pedro Álvares Cabral. O Que é o Pêra Manca Hoje? Em suma, a conexão entre Pêra Manca e Pedro Álvares Cabral é uma rica e poderosa lenda que consolidou o vinho como um ícone histórico e de luxo, especialmente para o público brasileiro. Gostaria de saber mais sobre as características atuais do vinho Pêra Manca tinto ou branco? Comente. Pêra Manca x Cartuxa Reserva: diferenças entre os ícones. Característica Pêra Manca Tinto Status de Produção Vinho de Exceção. Produzido apenas em safras extraordinárias (muito raro). Concentração & Corpo Máxima Concentração. Enorme corpo, denso e imponente. Perfil Aromático Complexidade Extrema. Fruta negra madura, notas terrosas, alcaçuz, tabaco e mineralidade. Taninos & Estrutura Taninos Poderosos. Muito firmes na juventude. Exige anos de garrafa para amaciar. Madeira (Carvalho) Estágio de 18 meses em carvalho francês (tonéis novos e usados). Potencial de Guarda Ultra-Longa Guarda (30 anos ou mais). Feito para a posteridade. Característica Cartuxa Reserva Tinto Status de Produção Vinho de Prestígio. Produzido em todas as safras, sendo o topo em anos sem Pêra Manca. Concentração & Corpo Alta Concentração. Corpo robusto, porém mais acessível na juventude. Perfil Aromático Elegante e Profundo. Fruta madura, especiarias doces, notas tostadas do carvalho novo (café, chocolate). Taninos & Estrutura Taninos Robutos, mas Polidos. Estrutura elegante, mais fino e aveludado após o estágio. Madeira (Carvalho) Estágio de 15 meses em barricas novas de carvalho francês. Potencial de Guarda Longa Guarda (10-20 anos). Desenvolve-se muito bem com o tempo. Como o Pêra Manca é feito: ficha técnica. VinificaçãoProduzido a partir das castas Aragoneze Trincadeira, cuidadosamente colhidas e selecionadas. As uvas são provenientes de talhões elegidos nas vinhas com mais de 30 anos, nos quais a maturação ocorre suavemente, sem stress hídrico exagerado, mantendo as potencialidades aromáticas e de extrato próprio das castas. Ao atingirem o estado de maturação ideal, as uvas são colhidas e transportadas para a adega, onde se inicia o processo tecnológico, com desengace total, criteriosa escolha ópticae ligeiro esmagamento. A fermentação ocorre em balseiros de carvalho francês com temperatura controlada, seguida de maceração pós-fermentativa prolongada. Estágio de dezoito meses em tonéis de carvalho francês, a que se seguiu estágio em garrafa nas caves do Mosteiro da Cartuxa. Este vinho não foi submetido a estabilização tartárica. Temperatura de serviço16ºC a 18ºC Equipa de EnologiaPedro BaptistaDuarte Lopes 5 anos e meio para o Pêra Manca ficar pronto. O período de estágio (ou envelhecimento) em garrafa do vinho Pêra Manca Tinto nas caves do Mosteiro da Cartuxa … Ler mais

As últimas grandes safras do Alentejo.

Sempre digo aos meus clientes que as últimas grandes safras coincidiram com o governo Bolsonaro: 2018, 2019, 2020, 2021 e 2022. E realmente foram. Safras boas que receberam notas 8 de 10 e as excepcionais receberam notas 9 ou superior. A boa notícia é que na maioria das regiões do mundo os resultados foram os mesmos, exceções são raras, como na Argentina, que teve uma safra mediana em 2018, por exemplo. Resumo e Destaques A avaliação das safras é baseada na compilação de relatórios de vindima, notas de críticos e notícias especializadas sobre as condições climáticas anuais no Alentejo. A seguir, apresento as fontes e as referências que apoiam a classificação das safras: Fontes de Informação e Referências As classificações apresentadas na escala de 0 a 10 refletem um consenso generalizado entre produtores e publicações especializadas em vinho de Portugal, como os sites Revista de Vinhos, Vinho Grandes Escolhas, e relatórios de grandes grupos vitivinícolas com operações no Alentejo. Destaques de Safras e Perfil (Base de Evidência): Observação: A natureza do clima do Alentejo tende a produzir boas safras anualmente devido ao calor e consistência solar, o que torna as notas de 8 para cima a regra. As safras 9.0 indicam um nível de excelência e longevidade acima da média. Quadro de fixação. Safra Qualidade Média (0-10) Perfil Típico dos Vinhos Tintos 2023 8.0 Muito Boa / Variável. Produção elevada. Vinhos frescos, frutados e acessíveis, mas com alguma variação devido a extremos de chuva e calor. 2022 8.5 Muito Boa. Safra mais quente, mas com boa concentração. Vinhos poderosos, encorpados e com boa estrutura. Excelentes para o consumo a médio prazo. 2021 9.0 Excepcional / Clássica. Ano mais fresco e com ciclo de maturação mais longo. Resultou em vinhos de grande elegância, fruta fresca, boa acidez e alto potencial de guarda. 2020 8.0 Muito Boa. Safra mais quente e seca. Vinhos concentrados, frutados, com corpo e taninos marcantes. Boa qualidade, mas com menor frescura que 2021. 2019 9.0 Excepcional. Geralmente considerada uma safra espetacular, com condições climáticas ideais. Vinhos ricos, complexos, com excelente estrutura e acidez. Ótimo potencial de guarda. 2018 8.5 Muito Boa a Excelente. Boa safra, com condições equilibradas. Vinhos geralmente bem estruturados, expressivos e com bom equilíbrio. Avaliações do Robert Parker. Pesquisei as notas e os relatórios de vindima para as safras de 2019 e 2021 no Alentejo, em publicações conceituadas como a Robert Parker Wine Advocate e a Revista de Vinhos / Vinho Grandes Escolhas. Os resultados confirmam o perfil de alta qualidade e potencial de guarda para ambas as safras, justificando a classificação de 9.0. Avaliação Detalhada dos críticos, das Safras do Alentejo (2019 e 2021) Safra 2019: Elegância, Estrutura e Potencial de Guarda O ano de 2019 foi marcado por um clima mais moderado em comparação com outros anos quentes, o que permitiu uma maturação mais lenta, essencial para a qualidade do vinho. Característica da Safra Referências de Críticos Perfil Geral Ano seco que levou a uma produção ligeiramente menor, mas com uvas de altíssima concentração e sanidade. O clima moderado na fase final da maturação resultou em vinhos com frescura e estrutura. Potencial de Guarda Vinhos tintos descritos como “maduros e ousados” (ripe and bold) e com taninos estruturados, finos e aveludados (Fonte: Wine & Spirits Magazine; VINTAGES Wine Picks). O vinho tinto Estremus 2019 do Alentejo foi destacado como um dos Top 30 da Revista de Vinhos em 2023. Pontuações Elevadas Vinhos do Alentejo de 2019 receberam consistentemente notas altas. Por exemplo, o Quinta do Mouro Dourado 2019 recebeu 96 pontos da Robert Parker Wine Advocate (RP), uma das notas mais altas da região. Todas as safras de Portugal desde 1978. Pra ver corretamente, abra no computador ou baixe o documento no formato Excel.. Ou baixe pela página ARQUIVOS.https://vinhosdonegao.com.br/arquivos/ Legenda das Abreviaturas: As colunas trazem, respectivamente, a classificação da revista norte-americana Wine Spectator (WS), da também norte-americana Wine Enthusiast (WE) e da publicação Wine Advocate, criada por Robert Parker (RP), todas em uma escala entre 50 e 100 pontos. No caso da Wine Spectator (WS) foi considerada a avaliação de tintos secos da região do Douro, para Robert Parker (RP) foi a avaliação geral dos vinhos secos portugueses, enquanto para a Wine Enthusiast (WE) corresponde aos vinhos secos tintos de Portugal. A última coluna traz a classificação para os vinhos secos portugueses da Berry Bros. & Rudd (BBR), uma das maiores e mais tradicionais lojas de vinhos do Reino Unido, em uma escala de um a dez. Safra Wine Enthusiast (WE) Wine Spectator (WS) Robert Parker (RP) Berry Bros. & Rudd (BBR) 2023 96 – – – 2022 94 – – – 2021 94 96 – – 2020 95 93 – – 2019 96 92 – – 2018 95 93 89 8 2017 95 95 95 8 2016 96 94 92 9 2015 96 93 92 8 2014 89 88 84 9 2013 89 89 89 8 2012 94 90 88 8 2011 95 97 94 7 2010 93 89 88 8 2009 95 91 91 7 2008 90 94 89 7 2007 94 96 93 7 2006 88 90 83 7 2005 91 94 90 8 2004 89 93 93 8 2003 92 91 89 6 2002 83 81 79 8 2001 85 89 – 8 2000 90 94 – 9 1999 88 – – 6 1998 91 – – 7 1997 92 – – 6 1996 89 – – 6 1995 92 – – 8 1994 – – – 7 1993 – – – 4 1992 – – – 5 1991 – – – 7 1990 – – – 7 1989 – – – 7 1988 – – – 8 1987 – – – 5 1986 – – – 6 1985 – – – 8 1984 – – – 4 1983 – – – 9 1982 – – – 10 1981 – – – 5 1980 – – – 9 1979 – – – 6 1978 – – – 7 Você pode baixar esta tabela na página de arquivos.https://vinhosdonegao.com.br/arquivos/ Dúvidas e sugestões? Deixe um comentário. Fontes: https://grandesescolhas.com https://granvine.com/pt/vinhos/revista-grandes-escolhas https://www.robertparker.com

De volta – e tentando colocar a adega em ordem.

“Eu voltei. Agora pra ficar.” Depois de uma semaninha afastado por licença médica, voltei ao trabalho com aquela sensação de quem ficou fora por um mês. A adega me esperava… meio abatida, coitada. As prateleiras andaram mais vazias do que o normal, e os rótulos pareciam me olhar com cara de “cadê você, chefe?”. Meus colegas, claro, se esforçaram — e eu agradeço de coração. Mas vamos combinar: vinho tem personalidade, e cada garrafa pede um tipo de cuidado que só quem vive o dia a dia da adega entende. É quase como cuidar de um aquário cheio de peixes exóticos… só que os “bichinhos” aqui são de vidro e álcool. Agora, estou naquele modo turbo: correndo pra repor o estoque, revisar pedidos, colocar cada vinho no seu devido lugar. É uma maratona etílica — sem taça no final, infelizmente. Já voltei no olho do furação: todos os vinhos entraram em promoção ao mesmo tempo, o pessoal do Clique e Retire (e-commerce) no meu pé. Mas já fui surfista, sei que tem que remar mais forte quando a série entra, senão toma na cabeça. Mas nada que um bom café (ou um bom chá no fim do expediente) não resolva. Aos poucos, tudo vai voltando ao normal. A adega vai recuperando o brilho, e eu também. Porque, no fim das contas, cuidar de vinhos é isso: um trabalho de paciência, amor e um toque de loucura — exatamente como a vida. 🍇 Vinhos do Negão — onde cada garrafa tem uma história.

Descobrindo a linha de vinhos Member’s Mark: qualidade com preço acessível no Sam’s Club

“Descobrindo a linha de vinhos Member’s Mark: qualidade com preço acessível no Sam’s Club”

A marca Member’s Mark é a marca própria e exclusiva da rede de clubes de compras Sam’s Club. Ela foi criada com a proposta central de oferecer produtos com qualidade premium (similar a marcas líderes de mercado) a preços mais competitivos, aproveitando o modelo de compras em grande volume do Sam’s Club. 🛍️ O Que é a Member’s Mark? Os vinhos Members Mark A Member’s Mark, sendo a marca própria do Sam’s Club, aplica a sua filosofia de qualidade a preço acessível também à sua linha de vinhos. Vale a pena considerá-los por vários motivos interligados ao modelo de negócio do clube de compras: 1. Excelente Relação Custo-Benefício Este é o meu principal argumento. A Member’s Mark consegue negociar diretamente e em grandes volumes com produtores de vinho ao redor do mundo (Argentina, Chile, etc.). Ao eliminar as margens de intermediários e as despesas de marketing de marcas estabelecidas, eles oferecem: 2. Curadoria e Qualidade Garantida Os vinhos da Member’s Mark não são genericamente rotulados. Eles passam por um processo de seleção e curadoria. Isso significa: 3. Confiança do Modelo de Marca Própria Assim como outros produtos da Member’s Mark (azeites, trufas, artigos para casa), os vinhos são desenvolvidos com a premissa de superar as expectativas de qualidade para justificar a filiação ao clube. 4. Vinhos para o Dia a Dia e Ocasiões Informais Muitos dos rótulos Member’s Mark são ideais para o consumo diário ou para quem busca um bom vinho de mesa para harmonizar com refeições, sem o custo de um vinho de guarda. Em resumo, vale a pena considerar os vinhos Member’s Mark se você é sócio do Sam’s Club e procura: Rótulos Member’s Mark nos EUA e Brasil. Vinhos Member’s Mark — Sam’s Club Member’s Mark Malbec Mendoza — 13,5% (Disponível no Brasil)Uva: Malbec • Região: Mendoza, Argentina. Nota do Negão: este vinho chegou com 13,5% apv, provei e adorei. Taninos firmes, boa acidez, boa fruta, ligeiro mas gostoso demais. O fiz ser o argentino mais vendido da loja, mas 2023, a safra atual, não foi boa para Mendoza. O vinho veio com 12,5% e com a informação “meio seco” no contra rótulo. Todos os sócios que compraram por minha indicação recebem meu alerta sobre essas mudanças, os demais eu peço pra me trazer suas impressões. Produzido pela Dona Paula. Member’s Mark Rioja Crianza — 13,5% (Disponível no Brasil)Uva: Tempranillo • Região: Rioja, Espanha. Nota do Negão: esse é bom demais. É tudo o que se espera de um Crianza de Rioja: taninos firmes, muito aromático (baunilha, chocolate, caramelo, frutas secas e geleia de frutas vermelhas). Sempre peço para o sócio pesquisar sobre seu terroir, a cidade de Haro. Quem fez a pesquisa entende o pq o vinho é tão bom. Esse vinho agrada aos meus sócios mais exigentes, aqueles que compram meus vinhos mais caros. Produzido pela Carlos Serres. Member’s Mark Pinot Grigio DOC Delle Venezie — 12% (Disponível no Brasil)Uva: Pinot Grigio • Região: Delle Venezie, Itália. Member’s Mark Cabernet Sauvignon Reserva — Chile — 13,5% (Disponível no Brasil)Uva: Cabernet Sauvignon • Região: Valle Central, Chile. Member’s Mark Tannat Reserva — 14% (Disponível no Brasil)Uva: Tannat • Região: Canelones, Uruguai. Nota do Negão: apesar dos 13% é um vinho que entrega o que se espera dele: taninos firmes que limpam bem a boca (e as artérias), boa fruta e drinkability alto. É do mesmo produtor do Don Pascual Tannat. Member’s Mark Sangiovese Toscana IGT — 13% (Disponível no Brasil)Uva: Sangiovese • Região: Toscana, Itália. Member’s Mark Bordeaux Supérieur — 13,5% (Disponível no Brasil)Uvas: Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc • Região: Bordeaux, França. Nota do Negão: Fiz degustação dele um sábado desses e foi surpreendente pra mim e pra muita gente. Pra mim principalmente, por causa de minha “crença” de que vinho francês ou é bom ou é barato. É gostoso. Taninos discretos pra um Bordeaux mas estão lá. Boa acidez e fruta discreta, porém, degustando com mais atenção percebi notas de vermelhas maduras. Esse é sem dúvidas bom e barato. Pesquisei o seu terroir e descobri que é produzido do lado esquerdo, ao sul de Barsac e Sauternes. Indico sem receio. Member’s Mark Primitivo California — 13,5% (Disponível no Brasil)Uva: Primitivo (Zinfandel) • Região: Lodi, Califórnia, EUA Nota do Negão: esse é bom demais. Já degustei Zinfandel californiano 3x mais caro que não entregou nem metade do que esse vinho entrega. É um vinho generoso em aroma e sabor. Geleia de frutas vermelhas bem nítidas até para o nariz menos treinado, baunilha, chocolate, frutas secas e um leve defumado no final pra impressionar e complementar a pujança aromática desse que pra mim é o melhor Members Mark disponível no Brasil ao lado do Crianza. Final longo e persistente. Member’s Mark Asolo Prosecco — 11%Espumante • Uva: Glera (85%) + Blanchetta/Perera/Boschera • Região: Asolo, Veneto – Itália. Member’s Mark Riesling Mosel — 9,5%Uva: Riesling • Região: Mosel, Alemanha. Member’s Mark Red Blend Califórnia — 13%Uvas: Blend (Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Zinfandel) • Região: Califórnia, EUA. Member’s Mark Cabernet Sauvignon Califórnia — 13,5%Uva: Cabernet Sauvignon • Região: Califórnia, EUA. Member’s Mark Private Reserve Cabernet Sauvignon Napa Valley — 14,5%Uva: Cabernet Sauvignon • Região: Napa Valley, EUA. Member’s Mark Pinot Noir Monterey County — 13%Uva: Pinot Noir • Região: Monterey County, Califórnia, EUA. Member’s Mark Sauvignon Blanc Marlborough — 12,5%Uva: Sauvignon Blanc • Região: Marlborough, Nova Zelândia. Já pensou um vinho desses em nossa adega? Peça pelo e-mail que vem. Nota do Negão: Marlborough faz os mais aromáticos Sauvignon Blanc do mundo. É uma experiência sensorial que marca a vida de quem aprecia grandes vinhos brancos. A proximidade do oceano, apenas 4km, faz a mágica acontecer. Member’s Mark Pinot Noir Russian River Valley — 14,2%Uva: Pinot Noir • Região: Russian River Valley, Califórnia, EUA. Nota do Negão: melhor região pra Pinot Noir e brancas dos EUA e as características do terroir explicam melhor que eu. Aí vão: Peça pelo e-mail que vem. Member’s Mark Médoc — 13%Uvas: Cabernet Franc, Merlot, Cabernet Sauvignon • Região: Médoc, Bordeaux, França. Member’s Mark Moscato d’Asti — 5,5%Espumante … Ler mais

Como o Vinho Pode Ajudar a Superar uma Grande Perda

🍷 A vida é feita de ciclos, e alguns deles chegam com a força de um vendaval. Perdas, sejam amorosas ou familiares, podem deixar uma dor profunda, que parece impossível de amenizar. Mas, curiosamente, o vinho — quando apreciado com consciência e calma — pode se tornar um aliado inesperado nesse processo de cura. 1️⃣ O vinho como ritual de presença Abrir uma garrafa, sentir o aroma, observar a cor e tomar o primeiro gole exige atenção plena. Esse ritual nos conecta ao momento presente, nos tira da aceleração da mente e cria um espaço seguro para a reflexão. É como se cada aroma nos lembrasse de que a vida ainda tem sabores a descobrir, mesmo após a dor. 2️⃣ Um gole de memória e conforto O vinho tem o poder de despertar memórias, boas e amargas. Uma taça pode trazer lembranças de pessoas queridas, de encontros felizes ou de instantes simples e doces. Permitir-se sentir essas memórias, sem pressa, é uma forma de honrar o que foi perdido e, ao mesmo tempo, começar a deixar ir aquilo que não podemos mais controlar. 3️⃣ Aromas que acalmam Vinhos mais aromáticos, como um Pinot Noir delicado ou um Chardonnay com leve passagem por barrica, podem agir como um aconchego olfativo e emocional. O simples ato de inspirar os aromas complexos do vinho ajuda a reduzir a tensão e a criar um momento de paz interior. 4️⃣ Compartilhar é curar Tomar vinho não precisa ser um ato solitário. Compartilhar uma garrafa com amigos próximos ou familiares abre espaço para conversas sinceras, risadas e lágrimas — todas necessárias para superar a perda. O vinho atua como catalisador de empatia, permitindo que sentimentos difíceis sejam expressos com menos barreiras. 5️⃣ Escolher com cuidado Nem todos os vinhos funcionam da mesma forma. Quando estamos emocionalmente sensíveis, prefira tintos suaves ou brancos elegantes, evitando taninos muito agressivos ou acidez exagerada, que podem amplificar tensão ou desconforto físico. Um vinho equilibrado acompanha, não pressiona. 💡 Dica do sommelier emocional: permita-se desacelerar. Abrir uma garrafa de vinho é também abrir um espaço para cuidar de si. Cada gole é um passo no caminho da aceitação e da reconstrução.

Por que vinhos tintos não combinam com queijos: o conflito entre taninos e umami

Queijos e vinhos

A química do sabor explica por que os queijos — especialmente os curados e ricos em umami — deixam os vinhos tintos amargos, metálicos e desequilibrados. Saiba quais rótulos realmente combinam. 🍷 Tintos x queijos 🍷 🧀 1. Introdução — o mito da dupla perfeita Quando o casamento até funciona Nem tudo é briga: Conclusão — o segredo está na leveza “Os tintos potentes pedem carne vermelha.Os queijos exigem delicadeza.No paladar, quem manda é o equilíbrio — e nem todo casamento foi feito pra durar.” Deixe sua dúvida nos comentários. Veja também: POR QUE PEIXES NÃO HARMONIZAM COM VINHOS TINTOS.

Entendendo as etiquetas do Sam’s Club

O Sam’s Club tem diversas promoções, os sócios se confundem bastante e com razão, mas depois de ler está postagem você não vai mas se confundir. Pelo menos na adega. Primeiro vou postar todas as promoções, depois explico uma a uma. De/por. É o desconto direto na unidade, independente do número de garrafas, os desconto será o mesmo em todas. % na segunda unidade. Esta só atinge as garrafas pares, as ímpares seguem com seu preço original (seta). Etiqueta promocional desconto na segunda unidade. Foto: Eduardo Sabino. Leve e pague. Esta é auto explicativa, mas a dúvida razoável é “posso levar rótulos diferentes?” Há duas respostas pra esta pergunta, a correta e a coerente. A correta é “Sim, pode.” Pois esta é a instrução do escritório central, o problema é que nem sempre o desconto entra ao passar no caixa, por isso, ultimamente, tenho usado a resposta coerente: “Não. Tem que ser do mesmo rótulo e EAN”. Infelizmente quem faz as promoções e quem as lança no aplicativo, site ou encarte, não deixa clara está questão, deixando uma margem de erro bem ensaboada para as lojas. Eu cansei de me estressar e de frustar os sócios, então sempre usarei a resposta coerente daqui pra frente. Isso vale pra todas as promoções, exceto a De/por. Dual price. Esta promoção é comum no Atacadão e é nova no Sam’s Club. Ela é ativada a partir de “x” unidades. Nos vinhos é ativada a partir da 2ª ou 3ª unidades e nos destilados pode variar de 2 a 12 unidades. Ela agora é regra para todos os vinhos e destilados da adega e pra quase todos os produtos do clube, portanto, se algum produto da adega estiver sem a etiqueta dual price (porque alguém retirou), tenha certeza de que ele está no dual price (5% de desconto em cada garrafa a partir da 2ª unidade). Nota: só vale pro mesmo produto. Não pode misturar. Exclusivo no Cartão Sam’s Club. Promoção CUMULATIVA: Na imagem abaixo vemos o Chivas cair de 169 para 109, na promoção do encarte, um desconto de mais 10% foi dado pra quem pagasse usando o cartão de crédito Sam’s Club, Atacadão ou Carrefour. Este desconto exclusivo geralmente é de 15% a 25%. Vale muito a pena fazer o cartão Sam’s, já que não tem anuidade. Exclusivo para sócio Plus. Esta promoção é DE/POR, ou seja, o desconto é na unidade. Cada mês todos os vinhos de um determinado país entra nesta promoção, seja ele branco, rosé ou tinto, só os espumantes ficam de fora. Os descontos variam de 10 a 15% e independem da forma de pagamento. Nota: este desconto NÃO É CUMULATIVO com outros descontos. Produtos com menos unidades. São os produtos com embalagens avariadas. Estes produtos não têm troca. Etiqueta de produtos com embalagens avariadas. Produtos com validade próxima do fim (data crítica). Alguns varejistas mantém uma seção com produtos próximos do fim da validade. Estes produtos ficam num setor/prateleira exclusivo, separado dos demais produtos da loja. Duvidas frequentes: 1- Se o código de barras é o mesmo do mesmo produto com validade boa, como o desconto vai sair no caixa?Resposta: Ou estes produtos estarão SOMENTE na gôndola de data crítica ou estarão com etiquetas coladas em cima do código de barras. 2- Qual é o preço deste produto? Ele está sem etiqueta.Resposta: a ausência da etiqueta se dá por um motivo, o desconto ainda não foi aprovado e lançado no sistema pelo escritório central, em São Paulo. Neste caso, consulte o preço num terminal de consulta, no caixa ou no próprio aplicativo seguindo o caminho: abra o app e no canto inferior esquerdo clique em MAIS >>consulta de preço>>autorize o uso da câmera. Pronto! Agora é só ler o código de barras do produto. 3- Este produto ainda está com o preço normal. Resposta: a mesma de cima. Quadro pra fixação. 📱 Use a visualização padrão do navegador para ver o quadro corretamente no celular! 💳 Tipos de Promoções no Sam’s Club Promoção Descrição 1️⃣ De/Por Desconto direto no preço da unidade. 2️⃣ % na 2ª unidade O desconto aplica-se apenas às garrafas pares. 3️⃣ Leve e pague Aplica-se apenas a produtos com o mesmo código de barras. 4️⃣ Dual Price Ativado a partir de um número mínimo de unidades (mesmo código de barras). 5️⃣ Exclusivo no cartão Válido para cartões Sam’s, Carrefour ou Atacadão. 6️⃣ Sócio Plus Oferta exclusiva para membros com plano Premium. 7️⃣ Menos unidades Produto incompleto, mas em perfeito estado. 8️⃣ Data crítica Produto completo, mas com validade próxima — ideal para consumo imediato. 💡 Dica do Negão: sempre confira se o código de barras é o mesmo nas promoções combinadas. O Sam’s costuma separar os produtos por SKU! Ainda com dúvidas? Deixe-as nos comentários.

Porque peixes não harmonizam com vinhos tintos?

Imagem destacada harmonização de peixes e vinhos

Nesta postagem tratarei destes assuntos: 1- A química que separa peixes e vinhos tintos. 2- A química da harmonização perfeita entre vinhos e peixes. 3- O erro clássico: vinho tinto com peixe: por que a mídia diz que tintos harmonizam com peixes? A química que separa peixes e vinhos tintos. Peixes são ricos em IODO, ÁCIDOS GRAXOS, FERRO E GORDURAS INSATURADAS. Vinhos tintos são ricos em TANINOS (resveratrol), ferro e cobre. Vou falar de cada um deles e como eles chegam até o produto final. Iodo, ácidos graxos e gorduras insaturadas. Simplificando, o iodo é um mineral que “nasce” dos sedimentos de solo e rochas, as chuvas o desprende e ele atinge as fontes d’agua, rios e lagos, daí é levado para o mar, onde ele é mais concentrado. Peixes de rios e lagoas também têm iodo, em menor concentração. O iodo é um mineral essencial para o organismo, pois atua na formação dos hormônios da tireoide T3 e T4, que estão relacionados com o metabolismo, o crescimento e a regulação de frequência cardíaca. O iodo também pode ser obtido naturalmente, por meio da ingestão de alimentos como mexilhão, sal iodado, bacalhau, camarão e algas, como kelp e nori. O iodo é absorvido pelos tecidos musculares dos peixes e frutos do mar durante seu desenvolvimento no ambiente marinho, por isso, esses alimentos têm um leve caráter salino e mineral, que entra em choque com o ferro e os taninos dos tintos, acentuando o gosto metálico. O sabor do iodo é químico/salgado e em contato com os taninos dos tintos amplia o gosto metálico. Substância É metal? Tem sabor metálico? Impacto na harmonização Iodo ❌ Não ⚠️ Químico/salgado, não metálico Reage com taninos → amplifica gosto metálico Ferro ✅ Sim ✅ Sabor metálico Reage direto com taninos → sabor metálico intenso Bacalhau dessalgado — — Menos iodo, mas ainda suficiente pra gerar leve choque com tintos tânicos Ácidos graxos e gorduras insaturadas. Os peixes são ricos em ácidos graxos poli-insaturados (gorduras poli-insaturadas) ômega-3 e ômega-6.A interação com o ferro e cobre dos tintos gera compostos voláteis oxidados que alteram o aroma e deixam os peixes e frutos do mar com gosto “ferroso”. As gorduras insaturadas são encontradas nas carnes mais leves (como cordeiro, pato ou peixes): Exemplos de peixes ricos em gorduras poli-insaturadas: Salmão, Atum, Truta, Sardinha, Cavala (mackerel), Arenque / anchova / bacalhau fresco. Aves com gordura insaturada: Peru e codorna – teor médio, boa opção para vinhos de corpo médio Pato – rico em ácido oleico (mesmo tipo de gordura do azeite de oliva) Ganso – gordura leve, textura sedosa, sabor doce-amendoado Frango caipira – especialmente a pele e a coxa têm mais monoinsaturadas que as aves industriais. Carnes suínas especiais. Nem todo porco é igual: raças como Iberico ou Mangalitsa têm gordura rica em ácido oleico, parecida com azeite. Já o porco comum tem gordura predominantemente saturada (mas também tem um pouco de insaturada). O MOTIVO QUÍMICO PRINCIPAL DA DESARMONIZAÇÃO: Tintos x ácidos graxos. A incompatibilidade entre vinhos tintos e peixes/frutos do mar vem da reação entre o ferro presente no vinho tinto e compostos graxos do pescado, especialmente em peixes ricos em ômega-3. 🔬 Explicando: Esse gosto se intensifica com: Tintos x gorduras insaturadas. Os metais encontrados nos tintos (ferro e cobre) quando em contato com as gorduras insaturadas do pescado (e patos, ganso, porco ibérico, etc.), provocam uma leve oxidação que libera sabores metálicos, lembrando “lata” ou “sangue”.Quanto mais gorduroso o peixe (como salmão, atum, sardinha), mais perceptível esse gosto. E o iodo? O iodo está nos tecidos musculares dos peixes e frutos do mar e quando entra em choque com o ferro e os taninos dos tintos, acentuando o gosto metálico. 🌊 Iodo, Ferro e o Sabor Metálico O iodo não é metal, mas é um halogênio — elemento não metálico presente em peixes e frutos do mar. Ele não tem sabor metálico puro, mas um gosto salgado e químico característico do mar. Quando o iodo e outros compostos marinhos reagem com taninos e íons metálicos dos vinhos tintos, o paladar pode mudar completamente, gerando aquele sabor metálico indesejado que encobre o frescor do pescado. 📊 Comparativo rápido: Iodo: não é metal, mas reage com taninos → pode realçar sabor metálico Ferro: metal de fato → causa sabor metálico direto com tintos Bacalhau dessalgado: contém menos iodo, mas ainda o bastante para gerar leve conflito com vinhos tânicos 💡 Dica do Negão: vinhos brancos minerais ou rosés equilibram muito melhor o iodo e o sal dos frutos do mar — deixando o mar no prato e o vinho na taça. Taninos, ferro e cobre. Os vinhos tintos passam por maceração com as cascas, o que aumenta o teor de taninos e íons metálicos do vinho (Fe²⁺ e Cu²⁺). Os rosés têm teores menores e os brancos não têm. O tanino seca a boca e precisa de proteínas e gordura animal saturada (como carne vermelha) para se equilibrar.O peixe, sendo mais delicado e com menos colágeno, não fornece “resistência” suficiente — o vinho “amassa” o sabor do prato. 🍇 Taninos x Sabor Metálico Taninos: provocam adstringência — aquela sensação seca e áspera na boca, sem gosto metálico. É como morder uma banana verde ou um chá preto muito forte. Sabor metálico: surge quando os taninos do vinho reagem com ferro ou outros metais dos alimentos, como peixes, frutos do mar ou sangue. O resultado é um sabor amargo e metálico que desequilibra o paladar. ⚗️ Resumo rápido: Taninos puros → secura e leve amargor Taninos + ferro → acentuam o sabor metálico Taninos + gordura → suavizam a adstringência 💡 Dica do Negão: prefira vinhos leves e pouco tânicos para peixes e frutos do mar — o frescor vence o ferro toda vez. A química da harmonização perfeita entre vinhos e peixes. A regra é simples: Harmonizar é respeitar a natureza de cada sabor.O mar pede leveza, acidez e frescor — e é aí que os brancos, rosés e espumantes mostram sua força.O tinto, intenso e estruturado, fica … Ler mais