Eduardo Sabino - Vinhos do Negão

Novidades no Sam’s: Cobos Reptil

Cobos Reptil é uma “joia escondida” produzida pela Viña Cobos sob encomenda. É uma forma de beber um vinho com a assinatura de Paul Hobbs (um dos maiores enólogos do mundo) pagando um preço muito mais acessível do que nas linhas tradicionais da marca. Dica do Negão: Se encontrar o Reptil com um bom preço no Sam’s, pode levar sem medo. É um Cobos legítimo, só não está no “álbum de fotos” oficial da família por questões de contrato! Eu explico no final. A adega do Sam’s Club Brasil acaba de receber um reforço de peso para os apreciadores de vinhos argentinos de alta qualidade: o Cobos Reptil Malbec. Este rótulo é produzido pela renomada vinícola Viña Cobos, uma instituição que redefiniu o patamar dos vinhos premium na região de Mendoza. Falar da Viña Cobos é, obrigatoriamente, falar de Paul Hobbs. O enólogo norte-americano é uma das figuras mais influentes da vitivinicultura moderna. Com passagens por vinícolas icônicas como Robert Mondavi e Opus One na Califórnia, Hobbs chegou à Argentina no final da década de 1980 e percebeu imediatamente o potencial inexplorado do terroir de Luján de Cuyo e do Vale de Uco. Em 1998, ele fundou a Viña Cobos com o objetivo de produzir Malbecs que pudessem competir com os melhores vinhos do mundo. Sua filosofia combina precisão técnica com um respeito profundo pelo vinhedo, focando em baixos rendimentos e uma intervenção mínima na adega para que a fruta se expresse com pureza. O Cobos Reptil Malbec carrega essa herança de excelência. Trata-se de um vinho elaborado com uvas selecionadas de vinhedos localizados em altitudes elevadas de Mendoza. No exame visual, apresenta uma cor vermelha intensa com reflexos violetas. No olfato, é possível identificar notas clássicas da Malbec mendocina, como ameixas pretas, amoras e cerejas, complementadas por nuances de baunilha, chocolate e especiarias doces, provenientes do seu estágio em barricas de carvalho francês e americano. De acordo com avaliações técnicas e dados de plataformas como Vivino e Robert Parker, o Reptil é um vinho encorpado, com taninos aveludados e uma acidez equilibrada que garante frescor e longa persistência no final de boca. A viticultura aplicada pela equipe de Paul Hobbs utiliza técnicas de manejo sustentável e colheita manual, garantindo que apenas os melhores cachos cheguem ao processo de fermentação. A chegada deste rótulo ao Sam’s Club representa uma oportunidade excelente para o consumidor ter acesso a um vinho com a assinatura de um dos enólogos mais respeitados e pontuados pela crítica internacional. É um exemplar que demonstra por que a Malbec se tornou a uva emblemática da Argentina quando tratada com o rigor e a visão técnica de Paul Hobbs. Avaliações: Avaliador Nota / Pontuação Observações VIVINO 4.1 a 4.2 Média consistente entre as safras 2019, 2020 e 2021. Guia Descorchados Não pontuado Esta linha específica geralmente não é enviada para o guia chileno/argentino. Robert Parker (RP) Não pontuado Não há registro oficial para a linha Reptil no Wine Advocate. James Suckling (JS) Não pontuado Embora Suckling dê 93 pontos ao Cocodrilo (linha similar), não há nota oficial para o Reptil. Wine Enthusiast 91 – 92 pts Avaliação referente à safra 2017. Rótulo Perfil Enológico e Estilo Posicionamento Cobos Felino Foco na pureza da fruta e frescor. É um varietal (100% Malbec) com menos tempo de barrica, destacando notas de flores e frutas vermelhas. Porta de entrada para o mundo Paul Hobbs. Mais fácil de beber e vibrante. Cobos Reptil Vinho tão encorpado e potente quanto o Felino. Apresenta notas marcantes de madeira (baunilha e chocolate), frutas negras maduras e taninos muito aveludados. Intermediário de luxo. Geralmente uma linha exclusiva de certos clubes de compras, focada em quem gosta de vinhos robustos. Cobos Cocodrilo Frequentemente um “Corte” (blend de Malbec com Cabernet Sauvignon). Possui maior complexidade estrutural, elegância e camadas de especiarias. Linha gastronômica. Um degrau acima em complexidade em relação ao Felino, competindo diretamente com o Reptil. Por que não encontrei o Reptil no site da importadora, nem da vinícola? Essa é uma dúvida muito comum de quem começa a explorar os rótulos da Viña Cobos. O motivo pelo qual o Cobos Reptil não aparece no catálogo público da Grand Cru ou no site oficial da vinícola é simples, mas puramente estratégico: 1. Ele é um “Rótulo Exclusivo” (Private Label) O Cobos Reptil é o que chamamos no mundo dos vinhos de “Private Label” ou “Exclusividade Comercial”. A Viña Cobos produz essa linha especificamente para grandes redes de varejo ou parceiros específicos (como o Sam’s Club no Brasil e a Total Wine nos EUA). 2. É o mesmo vinho que os outros da Cobos? Sim e não. Ele é feito pela mesma equipe de enologia liderada por Paul Hobbs e utiliza a mesma tecnologia. No entanto: 3. O “Mistério” gera valor Manter esses rótulos fora dos sites oficiais também ajuda a manter a hierarquia de marcas da vinícola. A Viña Cobos quer que seu nome principal esteja associado ao Bramare e ao ícone Volturno (que custam milhares de reais). Rótulos de volume, como o Reptil, cumprem seu papel comercial nas prateleiras dos supermercados premium sem “diluir” a exclusividade das linhas de luxo no site oficial. Fontes: https://www.grandcru.com.br VIVINO https://vinacobos.com/en-us/cocodrilo

Novidade no Sam’s: Coquetel Camila

Essa é uma jogada de mestre da Nieto Senetiner, uma das vinícolas mais tradicionais da Argentina (fundada em 1888!). Ver uma gigante dessas apostando na linha Camila Cocktail diz muito sobre para onde o mercado de vinhos está indo. Aqui estão alguns detalhes extras, os motivos estratégicos e o método de fabricação, conteúdo (até agora) exclusivo no Vinhos do Negão: 1. Por que lançar isso agora? (Os motivos) A Nieto Senetiner não está apenas “fazendo suquinho”; eles estão atacando três tendências globais: 2. Sobre o Método de Fabricação Diferente de um espumante tradicional (como um Champagne ou Prosecco), esses drinks seguem o método de Bebida Composta ou Coquetel de Vinho. O processo geralmente funciona assim: 3. Curiosidades “do Negão”: Dica de ouro: Sirva esses drinks em uma taça de vinho bem grande, com muito gelo e uma fatia da fruta fresca correspondente ao sabor (ex: uma rodela de grapefruit no Rosé). Isso eleva a experiência de “bebida pronta” para “drink de bar”. Quadro Resumo para o Blog (Duas Colunas) Este quadro é ótimo para resumir as informações técnicas de forma visual e rápida. 🍷 Qual é a Boa? (Rótulo e Uvas Base) 👅 O que esperar do gole (Sabor e Vibe) Camila Cocktail Clarea (Semillón & Chenin) Leve e delicado. Notas de limão, baunilha e aquele toque picante do gengibre. Vibe piscina. Camila Cocktail Tinto Verano (Malbec & Bonarda) Vibrante e clássico. Muita laranja, limão e botânicos. O tinto de verão sem ser enjoativo. Camila Cocktail Spritz (Pinot Noir & Malbec) Cítrico e envolvente. O balanço perfeito entre laranja e bitter natural. Aperitivo elegante. Camila Cocktail Rosé (Syrah & Bonarda) Delicado e floral. O frescor da grapefruit com o aroma de hibisco e lima. Sofisticado. Fontes.

A garrafa clássica de fiasco do Chianti.

Por que não encontramos mas as garrafas clássicas de fiasco? Vou tentar responder essa questão trazida pelos clientes mais experientes, mas antes vamos entender sua história e o seu propósito. Surgimento A garrafa fiasco é um recipiente icônico de vinho Chianti, caracterizado por ser uma garrafa de vidro de fundo redondo envolta em uma cesta de palha. É um símbolo da herança toscana e do estilo italiano de vinho, frequentemente associado a pratos como massa e pizza. Há muito tempo eu queria pesquisar e escrever sobre ela pra entender o porquê de seu sumiço no mercado. A Garrafa Clássica de Fiasco do Chianti A imagem do vinho Chianti ficou, durante séculos, ligada àquela garrafa bojuda, envolta em palha trançada. Chamava-se “fiasco”, e sua história é muito mais antiga e fascinante do que parece. 1. Surgimento em 1350 O fiasco aparece oficialmente em registros da Toscana por volta de 1350, já reconhecido como uma forma prática de armazenar e transportar vinho. A base arredondada exigia proteção e estabilidade, e o revestimento em palha resolvia o problema. Além disso, evitava que a luz alterasse o vinho e protegia contra impactos durante o transporte em carroças. 2. A história do seu inventor O formato do fiasco não tem um inventor com nome conhecido. Ele foi uma criação artesanal coletiva dos mestres vidreiros toscanos, especialmente da região de Empoli, famosa desde a Idade Média pela produção de vidro esverdeado. A evolução do formato resultou de séculos de aperfeiçoamento: pescoço estreito, barriga larga e o “cesto” de palha trançada manualmente. Empoli, desde o século XIV, tornou-se o principal polo de produção dos fiaschi, e seus artesãos ficaram conhecidos como fiascaioli. Eles foram os responsáveis por padronizar a forma, criar modelos de tamanhos específicos e torná-los uma identidade visual da Toscana. 3. De onde vinha o junco (a palha da base) Embora popularmente chamado de palha, o material era na verdade junco ou palha de palmeira cultivada em zonas úmidas da Toscana, principalmente no Vale do Arno. Em alguns períodos, quando a produção local era insuficiente, importava-se junco dos Balcãs e do norte da África. Esse revestimento era trançado artesanalmente, geralmente por mulheres das aldeias, em um trabalho minucioso que envolvia secagem, amaciamento e torção do junco. 4. Por que caiu em desuso A partir dos anos 1960–1980, o fiasco começa a perder espaço por vários motivos: Assim, o fiasco foi praticamente abandonado pelos grandes produtores e ficou restrito a usos decorativos ou linhas tradicionais de menor escala. 5. Produtores que ainda utilizam o fiasco Embora raro, alguns produtores mantêm versões tradicionais ou comemorativas: Hoje, o fiasco funciona mais como símbolo histórico e cultural do Chianti do que como padrão comercial. Quadro-resumo. Tópico Resumo Origem Criado por volta de 1350 na Toscana. Inventor Artesãos vidreiros de Empoli; criação coletiva, sem autor único. Material Junco da Toscana, com reforços importados dos Balcãs e norte da África. Motivo do declínio Custo alto, imagem de “vinho barato”, padronização industrial, exportação difícil. Quem ainda usa Ruffino, Melini, Castellani, Cecchi e pequenas cooperativas. Quadro com fontes Fonte Link Consorzio Vino Chianti – História do fiasco https://www.consorziovinochianti.it Registros históricos dos fiascaioli de Empoli https://www.museodelvetroempoli.it Comune di Empoli – Arquivos sobre vidrarias medievais https://www.comune.empoli.fi.it Ruffino – Histórico das garrafas tradicionais https://www.ruffino.com Melini – Linha Chianti em fiasco https://www.melinichianti.com Dúvidas? Deixe nos comentários.

Douro: sistema de Classificação A-F.

Garrafa de vinho do Porto, Croft Ruby, com taça meio chia ao lado, sob uma mesa de madeira e arranjo de flores atrás.

Atendendo a pedidos de vários clientes, aqui está um resumo claro e direto da Classificação de Solos/Vinhas A–F do Douro, usada para determinar o benefício (quantidade autorizada de Vinho do Porto que cada parcela pode produzir). Primeiro vou explicar a classificação dos vinhos do Porto, os fortificados (DOP Porto), que foi a criada em 2009 pela UE, regulando todas as demais D.Os da Europa, incluindo a D.O Porto, criada por Marquês do Pombal – nesta postagem também explico detalhes das classificações dos vinhos tranquilos. Deu um trabalhão fazer esta pesquisa (dois dias e meio). Compartilhe em suas redes sociais. Onde tudo começou: Porto e o Marquês do Pombal A primeira Denominação de Origem da história moderna surgiu com o Vinho do Porto, lá em 1756. Incumbido de reorganizar o Império Português depois do terremoto de Lisboa. O contexto:: Pombal, que não tinha muita paciência para bagunça, fez o que qualquer administrador iluminista de época faria: criou uma região demarcada, registrou vinhedos, proibiu fraude e até mandou arrancar plantios irregulares. Dito isso, vamos ao post. Nota do Negão: além de criar a D.O Douro, Marquês do Pombal fez mais nada para ser lembrado em meu blog. Ele foi um déspota esclarecido que perseguiu e assassinou opositores sem qualquer remorso, expulsou os jesuítas da Cia de Jesus de Portugal e de todas as suas colônias por entender que eram um entrave à sua revolução iluminista. Um materialista canalha e assassino que por 27 anos mandou mais que o rei D. José I, um fraco que não merece seu nome no famoso vinho do Porto, mas divago… Antes você precisa entender as diferenças entre DOP Douro, DOC Douro e Vinhos Durienses. Categoria Descrição DOP Criada pela União Europeia (2009). Protege a origem e métodos tradicionais. É a camada mais ampla e jurídica. No Douro: DOP Douro. DOC Formalizada em Portugal nos anos 1980. Define regras técnicas rígidas (castas, rendimentos, teores, estilos). No Douro: DOC Porto e DOC Douro. Vinhos Durienses Categoria de IGP (Indicação Geográfica). Regras mais flexíveis. Permite castas fora da DOC. Rotulados como “Regional Duriense”. Aqui vai um resumo rápido, direto e cronológico explicando DOP, DOC e Vinhos Durienses numa linha do tempo direta, clara e cronológica. Linha do Tempo das Denominações do Douro 1756 — Criação da “Demarcação do Douro” (a 1ª DO da história) 1933–1935 — Consolidação legal do Vinho do Porto como Denominação de Origem 1982–1986 — Formalização do sistema de DOC em Portugal 1990s — Surgimento formal dos Vinhos Durienses (IGP/VR Duriense) 2009 — União Europeia cria o sistema DOP No Douro: Resumo rápido da linha do tempo Ano Marco 1756 Criação da Região Demarcada do Douro (1ª DO da história) 1930s Regulamentação moderna do Vinho do Porto 1980s Criação formal das DOC Porto e DOC Douro 1990s Instituição do Vinho Regional/IGP Duriense 2009 Sistema europeu cria a DOP Douro Fiz esse infográfico pra facilitar: Comparação quanto à rigidez Categoria Ano de consolidação Abrangência Regras Exemplo no Douro DOP 2009 (UE unifica sistema) Proteção europeia Mais gerais DOP Douro DOC 1980s (formalização PT) Sub-regiões específicas Muito rígidas DOC Douro, DOC Porto Vinho Duriense (IGP) 1990s–2000s Douro como região ampla Regras flexíveis “Regional Duriense” Quadro de fixação: Categoria Descrição DOP Criada pela União Europeia (2009). Protege a origem e métodos tradicionais. É a camada mais ampla e jurídica. No Douro: DOP Douro. DOC Formalizada em Portugal nos anos 1980. Define regras técnicas rígidas (castas, rendimentos, teores, estilos). No Douro: DOC Porto e DOC Douro. Vinhos Durienses Categoria de IGP (Indicação Geográfica). Regras mais flexíveis. Permite castas fora da DOC. Rotulados como “Regional Duriense”. Agora vamos ao tema da postagem: a classificação dos vinhos do Douro e Porto FORTIFICADOS. Classificação de Vinhas do Douro (A–F) Sistema oficial do IVDP – Instituto dos Vinhos do Douro e PortoCriado em 1948 (Método das Pontuações / Sistema de Pontos). A classificação leva em consideração a qualidade global da parcela, considerando muitos fatores — o solo é apenas um deles.Cada parcela recebe uma pontuação total e é classificada de A (melhor) a F (pior). FAIXAS DE CLASSIFICAÇÃO Classe Pontuação Qualidade A 1.200–1.600 pts Excelente B 1.001–1.199 pts Muito boa C 801–1.000 pts Boa D 601–800 pts Mediana E 401–600 pts Fraca F 0–400 pts Muito fraca (muitas vezes sem benefício) CRITÉRIOS AVALIADOS (os 12 fatores clássicos) Cada parcela recebe pontos em itens que influenciam a qualidade. 1. Solo 2. Clima / Exposição solar 3. Altitude 4. Declive (inclinação) 5. Localização / Proximidade do Douro 6. Castas plantadas 7. Idade das vinhas 8. Densidade de plantação 9. Produtividade (rendimento) 10. Estado sanitário / vigor 11. Práticas vitícolas 12. Condições de acesso e mecanização Para que serve a classificação? Ela determina quantos litros de Porto cada parcela pode produzir, o chamado benefício.Vinhas A recebem o maior benefício; vinhas F podem ter zero benefício. Vinhos tranquilos (vinhos finos sem adição de aguardente vínica). Lembrando: a classificação A–F do Douro é historicamente associada principalmente ao Vinho do Porto, mas as regras regulatórias para os vinhos tranquilos (DOC Douro) têm suas particularidades. Aqui vai uma explicação sobre as diferenças regulatórias entre Porto e Douro tranquilos – me baseei no regulamento oficial do IVDP — e quais lacunas existem. Colocarei links no final da postagem para facilitar sua pesquisa. Classificação de vinhas do Douro para vinhos tranquilos (DOC Douro) Explicando: Classificação de vinhas do Douro para vinhos tranquilos (DOC Douro) 1. Solo (natureza do solo, xisto, retenção de água) O Douro é dominado por xisto friável, que aquece e drena rapidamente.No sistema de pontuação: 2. Pedregosidade Parcelas com maior quantidade de pedra solta, que refletem calor e melhoram a drenagem, recebem mais pontos. 3. Altitude Altitudes mais elevadas são mais frias e atrasam a maturação. 4. Declive (inclinação) Encostas íngremes recebem mais pontos, porque: 5. Exposição solar e abrigo (microclima e proximidade ao vale/rio) As melhores vinhas são voltadas a sul e sudoeste, recebendo mais calor.A proximidade do rio Douro e dos seus vales gera microclimas superiores porque: 6. Castas plantadas O sistema atribui mais pontos às castas … Ler mais

Denominação de Origem: entenda de uma vez.

Tudo explicado de forma simples. Agora você nunca mais vai esquecer. Fiz este quadro pra resumir e ir direto ao assunto. Tema Explicação O que é uma D.O. Reconhecimento oficial de um território vitivinícola delimitado. Quem recebe a D.O. O território/vinhedo, não uma vinícola. Quem pode usar a D.O. Todos os produtores dentro da área que cumpram as regras. Administração Feita por um conselho regulador, nunca por uma vinícola. Função principal Garantir origem, método, identidade e qualidade mínima. Regras técnicas Determinam uvas permitidas, rendimento máximo, práticas de vinificação e envelhecimento. Controle de qualidade Análises químicas e sensoriais antes da liberação dos vinhos ao mercado. Proteção legal Impede uso indevido do nome da região por produtores externos. Vantagem para o produtor Agrega valor, identidade e reputação ao produto. Vantagem para o consumidor Garante autenticidade e consistência no estilo dos vinhos. Relação com terroir Baseada na singularidade do solo, clima e práticas locais. Exemplos clássicos Rioja, Ribeira Sacra, Priorat, Rueda, Chianti, Barolo, etc. Agora uma postagem com toda minha pesquisa sobre Aqui vai uma postagem leve, fluida e informativa sobre Denominação de Origem (D.O.), incluindo histórias saborosas, contexto histórico e casos curiosos como os Super Toscanos. Se quiser depois, transformo isso em HTML, PDF, card para redes sociais ou versão curta. Denominação de Origem: por que isso existe e por que faz tanta diferença? Quando você pega uma garrafa de vinho e vê “D.O.”, pode ter certeza: alguém, em algum momento da história, ficou tão bravo com falsificadores, comerciantes espertinhos ou produtores descuidados que decidiu criar regras. E vinho, como sempre, não escapou dessa mania humana de colocar ordem na bagunça. Onde tudo começou: Porto e o Marquês do Pombal A primeira Denominação de Origem da história moderna surgiu com o Vinho do Porto, lá em 1756. E quem criou? Ninguém menos que o Marquês do Pombal, aquele mesmo famoso por reorganizar o Império Português depois do terremoto de Lisboa. O contexto era tenso: Pombal, que não tinha muita paciência para bagunça, fez o que qualquer administrador iluminista de época faria:criou uma região demarcada, registrou vinhedos, proibiu fraude e até mandou arrancar plantios irregulares. Nascia ali a primeira D.O. do mundo, séculos antes de França, Itália e Espanha se atentarem pra isso.. Afinal, o que é uma D.O.? De forma simples:É um selo que garante que um vinho vem de um lugar específico e segue regras específicas, respeitando o estilo tradicional daquele território. Não é um “selo de qualidade absoluta”, mas um “selo de identidade garantida”. Quando as regras começam a incomodar: a rebeldia dos Super Toscanos No século XX, especialmente nas décadas de 1960 e 1970, a Toscana estava presa a regras muito rígidas. Para fazer um Chianti, por exemplo, era obrigatório usar uvas que os produtores… não queriam usar, porque deixavam o vinho pior. Foi aí que a vinícola Antinori (e alguns vizinhos igualmente teimosos) decidiu quebrar o esquema: O famoso Tignanello, por exemplo, nasceu como “Vino da Tavola” — literalmente a categoria mais baixa da Itália — e mesmo assim virou um ícone global. A pressão ficou tão grande que anos depois a Itália teve que criar uma categoria intermediária (IGT Toscana) para acomodar essa rebeldia elegante. Existem outros casos como os Super Toscanos? Sim, vários. Aqui vão os mais notáveis: 1. Na Espanha – Priorat e Ribeira Sacra pré-renascença Antes de virarem D.O.Q. e D.O., pequenos produtores artesanais faziam vinhos incríveis fora das regras antigas, muitas vezes ignorados pelo sistema oficial. Só quando conquistaram críticos internacionais é que as denominações correram atrás para se modernizar. 2. Califórnia – antes das AVAs ganharem relevância Durante décadas, vinhos excepcionais de Napa e Sonoma não tinham uma “D.O.” forte porque o sistema AVA ainda era fraco. Mesmo assim, vinhos como os de Robert Mondavi e os que venceram o Julgamento de Paris (1976) foram reconhecidos mundialmente. 3. Austrália – Penfolds Grange Nos anos 1950, Max Schubert criou o Grange, que desafiava completamente os estilos tradicionais. Ele recebeu ordens para parar, continuou produzindo escondido e… acabou criando o maior vinho australiano, hoje cultuado globalmente. 4. Chile – antes das DOs modernas Vinhos como Sena, Almaviva e Clos Apalta surgiram antes da atualização das regras chilenas e se destacaram internacionalmente sem depender de denominações rígidas. Então, a D.O. ainda importa? Muito. A D.O. garante: Mas a história mostra que alguns dos maiores avanços da vinicultura vieram justamente quando produtores ousaram desafiar as regras. No fim das contas, a D.O. é um guia — não uma sentença.O vinho, como a vida, evolui sempre quando alguém decide ir além do permitido. Vamos por partes — começando pela questão das barricas, e depois detalhando “as regras específicas” de Denominações de Origem, com exemplos reais de cinco regiões: Toscana, Douro, Alentejo, Rioja e Vale dos Vinhedos. 1) Sobre as barricas francesas da Antinori: o que usavam antes? Na Toscana, até meados do século XX, o padrão era usar grandes tonéis de carvalho eslavo (madeira da região da Eslovênia). Esses tonéis: Quando os produtores da nova geração, especialmente a família Antinori, começaram a usar barricas francesas de carvalho (geralmente 225 litros), a diferença foi enorme: Esse foi um dos elementos centrais da “rebeldia” dos Super Toscanos. Resumo:Antes: tonéis grandes de carvalho eslavoDepois: barricas pequenas de carvalho francês 2) O que significam as “regras específicas” de uma D.O.? Cada Denominação de Origem estabelece normas que definem e protegem a identidade de um vinho.As regras variam conforme o país e a região, mas geralmente incluem: Agora, vamos aos exemplos regionais: 3) Exemplos de regras de D.O. A) Toscana – Itália (ex.: Chianti Classico DOCG) Principais regras: Por que os Super Toscanos eram “rebeldes”?Porque usavam Cabernet Sauvignon, Merlot, barrica francesa e proporções proibidas — portanto não poderiam ser chamados de “Chianti”. B) Douro – Portugal (ex.: Douro DOC / Porto DOC) Regras principais: C) Alentejo – Portugal (ex.: Alentejo DOC) Regras principais: D) Rioja – Espanha (Rioja DOCa) Talvez a D.O. mais rígida e complexa da Europa. Regras principais: Rioja é famosa por barricas de carvalho americano e longos envelhecimentos … Ler mais

Ramón Roqueta Tempranillo: que vinhos é esse?

Fiz esta postagem porque ele é uma das novidades no mix de vinhos da Adega Sam’s Club, têm rótulo ‘clean’ bem bonito, cápsula bem acabada, mas principalmente, porque entrou na seleção de rótulos do Esquenta Black Friday: 70% de desconto na segunda unidade. Ainda não o degustei, por isso usei informações pesquisadas no Google. O vinho O Ramon Roqueta Tempranillo é um vinho tinto espanhol da região da Catalunha, feito 100% com a uva Tempranillo. Ele é conhecido por sua cor vermelho-rubi, aromas de frutas vermelhas maduras, especiarias e toques de carvalho, e um paladar equilibrado, com taninos macios e final suave e persistente. É uma opção versátil para harmonizar com carnes assadas, cogumelos e queijos.  Características: Harmonização Essas são sugestões da maioria dos sites que parecem copiar e colar um do outro, mas quem leu minha postagem sobre harmonização de tintos com queijos, não comete mais esse erro ‘mainstream’. Clique na Imagem. A vinícola (resumo) A vinícola é a Bodegas Roqueta (também conhecida como Ramon Roqueta) é uma empresa familiar com mais de 120 anos de história e tradição vinícola que remonta ao século XII. Localizada na região da Catalunha, noroeste de Barcelona, a vinícola opera em uma propriedade chamada Finca Jaumandreu, no município de Fonollosa. A Roqueta é conhecida por combinar a experiência centenária com a tecnologia moderna, praticando a viticultura sustentável. Método de Elaboração. A vinícola foi fundada em 1898 em Manresa e depois comprou a propriedade Finca Jaumandreu, mas não encontrei a data dessa mudança (nem o ChatGPT e Gemini encontraram). Essa data é importante pra saber se ela ADQUIRIU a D.O Catalunya ou herdou dos vinhedos da antiga proprietária (sim, a D.O é é concedida ao vinhedo, não há vinícola que administra os vinhedos) Explico isso na postagem sobre D.O aqui.. A história toda, desde o século XII A tradição vinícola da família Roqueta remonta a 1199 na propriedade Masía Roqueta, localizada em Santa Maria de Horta de Avinyó, município de Barcelona, ​​Espanha . Vestígios das prensas, tonéis, tanques de pedra e barris utilizados ao longo dos séculos ainda se conservam no local. Em 1898, Ramon Roqueta Torrentó estabeleceu as bases comerciais para a comercialização dos produtos da quinta familiar, principalmente vinho e batatas, em Manresa, na região de Bages . Ao longo dos anos, a família Roqueta ocupou posições importantes em diversas associações de Manresa, recebendo inúmeros prêmios e reconhecimentos. Em 1924, começaram a produzir um vinho espumante chamado Mundial e, em 1928, iniciaram a exportação de vinhos para a França. Em 1963, construíram sua primeira fábrica de engarrafamento, deixando de vender seus vinhos em tonéis e barris; em 1968, já distribuíam seus produtos por todo o país. Em 1980, começaram a participar de feiras e exposições nacionais e internacionais, expandindo sua presença para outros mercados. A marca Ramón Roqueta foi criada em 1988 em homenagem ao seu fundador e, em 1994, recebeu diversas certificações internacionais importantes. Desde 2006, Ramón Roqueta Segalés preside a empresa e, dez anos depois, em 2016, criaram uma nova identidade visual para o rótulo, refletindo os valores familiares. Um rótulo comemorativo, celebrando os 120 anos de existência da vinícola ao longo de cinco gerações, foi criado em 2017: Ramón Roqueta Insignia Private Collection . Atualmente Na Finca Jaumandreu (Fonollosa, Barcelona), séculos de experiência na produção de vinhos se unem a técnicas modernas, mantendo uma qualidade excepcional. Membro da Denominação de Origem Catalunha desde 2001, a vinícola opera com um sistema de viticultura sustentável que utiliza recursos naturais e respeita o meio ambiente. O vinhedo é cultivado com métodos biológicos , reduzindo o uso de produtos químicos, e a vinificação é baseada no conceito de cubas. Eles sempre utilizaram um método inovador de separação de cada variedade de uva em tanques diferentes, produzindo vinhos monovarietais. O terroir. Método de elaboração O método de elaboração do vinho Ramon Roqueta Tempranillo segue uma abordagem que a vinícola considera inovadora para a época de sua fundação. Uvas: Utiliza 100% uvas Tempranillo, colhidas manualmente.Vinificação: As uvas são vinificadas em tanques separados, prática que visa preservar as nuances únicas de cada variedade (método “Tines de Roqueta”). Amadurecimento: O vinho passa por um estágio de cerca de três meses em barricas de carvalho americano para arredondar e polir seus taninos, adicionando notas de especiarias e tostado. Esse processo resulta em um vinho que expressa o caráter frutado da Tempranillo com a complexidade aromática sutil proveniente do contato com o carvalho. O terroir Solo O solo da D.O. Pla de Bages é predominantemente franco-argiloso e calcário (ou calcário-argiloso). É um solo profundo e com alto teor de calcário, frequentemente pedregoso, que se caracteriza por possuir boas propriedades de retenção de umidade. Clima O clima é classificado como continental mediterrâneo de média montanha. As condições são ideais para a viticultura e incluem: Dúvidas? Deixe no cometário. A D.O Bages. A D.O. Pla de Bages é uma Denominação de Origem Protegida (D.O.P.) localizada na região da Catalunha, no nordeste da Espanha, na província de Barcelona. A região, cujo nome remete à palavra latina Bacus (Baco, deus romano do vinho), possui uma herança vinícola milenar. Ano de Fundação da D.O. A Denominação de Origem Pla de Bages foi oficialmente criada em 1995, em um movimento para recuperar e valorizar o patrimônio vitivinícola da área, que sofreu um forte declínio no século XX. Vinhos de Destaque A região busca expressar sua identidade através de castas autóctones recuperadas, resultando em vinhos que se destacam pelo seu frescor, concentração amável e capacidade de envelhecimento. Vinícolas A D.O. conta com aproximadamente 17 adegas filiadas, em sua maioria propriedades familiares que cultivam os próprios vinhedos. Esta estrutura permite um cuidado personalizado e tradicional. Característica Descrição Solo Predominante Franco-argiloso e Calcário. Boa profundidade e capacidade de retenção de água. Clima Continental Mediterrâneo de Média Montanha. Forte oscilação térmica dia/noite, baixa pluviosidade. Efeito no Vinho Confere frescor e um perfil mais leve e frutado, especialmente nos vinhos brancos. Castas Chave Picapoll (Branca) e Sumoll (Tinta). Comparação com as vizinhas famosas, a D.O.Q Priorat e D.O Montsant D.O.Q Priorat: Característica Descrição Solo Predominante Llicorella (Ardósia/Xisto). Solo escuro, muito pobre e quebrado, em encostas íngremes (costers). Clima Mediterrâneo Seco e Extremo. Verões … Ler mais

Supermercados: Regras de etiquetas 2025

Boas Práticas no Supermercado: Um Guia de Etiqueta para Clientes Conscientes Frequentar um supermercado é uma atividade rotineira, mas a forma como nos comportamos impacta diretamente a experiência de todos — clientes e colaboradores. Adotar a etiqueta de supermercado é uma questão de respeito, segurança e responsabilidade com os produtos e o ambiente de trabalho. Há muito tempo sinto a necessidade de escrever sobre este assunto. Diariamente me deparo com situações que entendo que podem ser evitadas. Os clientes não fazem ideia da quantidade de produtos avariados perdidos, dos acidentes e das punições que os funcionários recebem por culpa do seu comportamento. Esta postagem não é um puxão de orelha, é apenas um alerta, uma fonte de informação. 1. Comportamento Geral do Cliente 2. Etiqueta na Seção de Vinhos (Adega) A seção de vinhos é delicada e exige cuidado extra: O Risco de Esvaziar Caixas para Levar a Embalagem Não se deve esvaziar as caixas originais de vinhos ou outros produtos na gôndola para usar a caixa vazia. 3. Dicas de Etiqueta no Açougue 4. Regras de Etiqueta na Padaria 5. A Importância de Não Descartar Produtos em Qualquer Lugar Esta é uma das regras mais cruciais: nunca descarte produtos perecíveis (carnes, laticínios, congelados, refrigerados) em prateleiras comuns. Resumo da Etiqueta de Supermercado Área Regra Essencial Geral/Carrinho Não bloqueie corredores. Devolva o carrinho após o uso. Açougue/Padaria Pegue a senha. Use luvas e pegadores na padaria. Tenha clareza no pedido. Vinhos/Caixas Não esvazie caixas para levá-las. Peça uma caixa vazia ao funcionário. Perecíveis Nunca descarte carnes/congelados em gôndolas comuns. Devolva à refrigeração ou entregue a um funcionário. Caixa Respeite a fila e use o separador de compras. Vagas de Estacionamento: Respeite as vagas preferenciais (idosos, gestantes, deficientes) se você não se enquadra nos critérios. Direitos que podem (e devem) ser exigidos pelos clientes. Direitos do Consumidor em Supermercados: É fundamental que os clientes de supermercados conheçam seus direitos para garantir uma experiência de compra justa e segura. O Código de Defesa do Consumidor (CDC) garante diversas proteções. Direitos do Cliente em Supermercados Descrição Preço Exato e Claro O preço cobrado deve ser o que está visível na gôndola ou o menor preço registrado no sistema, em caso de divergência. O valor final no caixa deve ser o informado. Troca de Produto Em caso de defeito ou vício (produto estragado, com data de validade vencida, impróprio para consumo), o cliente tem direito à troca ou ao dinheiro de volta. Produto com Vício Oculto Mesmo após o uso, se um vício não aparente for descoberto, o consumidor tem o direito de reclamar. Informação Clara e Precisa Todos os produtos devem ter informações claras sobre suas características, composição, preço, prazo de validade e riscos à saúde ou segurança. Qualidade e Segurança Os produtos devem ser adequados ao consumo e não apresentar riscos à saúde ou segurança dos consumidores. Atendimento Adequado O cliente tem direito a um atendimento cortês e eficiente, sem discriminação ou espera excessiva em filas (em alguns estados e municípios, há leis sobre tempo máximo de espera). Privacidade O consumidor tem direito à sua privacidade, não podendo ter seus dados pessoais coletados ou compartilhados sem consentimento e finalidade específica. Reparação de Danos Em caso de danos causados por produtos ou serviços do supermercado (ex: piso molhado sem sinalização), o cliente tem direito à reparação. Prática Abusiva O cliente é protegido contra práticas abusivas, como venda casada, publicidade enganosa, cobrança por produtos não solicitados ou preços abusivos sem justa causa. Devolução em Compra Online Para compras feitas pela internet ou telefone (supermercados com delivery), o consumidor tem 7 dias para desistir da compra e devolver o produto, sem necessidade de justificativa. Conhecer esses direitos capacita o consumidor a fazer valer a lei e a contribuir para um ambiente de consumo mais transparente e ético. Dúvidas? Deixe nos comentários.

O Investimento Perfeito: Por Que as Safras de 2018 a 2022 São Essenciais para a Sua Adega

Este post é pra reforçar o que digo na loja diariamente: busque pela safra, ela faz uma diferença enorme. Quando falo isso eu ouço frequentemente: “Não sou especialista a esse ponto, não sei quais safras foram realmente boas e quais foram as ruins.” Isso é simples, respondo, é só lembrar do último presidente do Brasil: 2018: eleição. 2022 último ano de governo. Coincidentemente foram as últimas grandes safras, as que estão disponíveis no mercado atualmente. O clima é o grande mestre na viticultura. Raramente testemunhamos uma sequência tão consistente de anos favoráveis, mas o período entre 2018 e 2022 produziu uma verdadeira Era de Ouro na qualidade global do vinho, oferecendo safras obrigatórias para qualquer colecionador. Os Cinco Anos de Excelência (2018–2022) Esta sequência estendida de safras extraordinárias é notável. Em muitas regiões, o ano de 2018 estabeleceu o padrão com condições de maturação ideais, preparando o terreno para a excelência de 2019, 2020, 2021 e 2022. Esses anos trouxeram uvas com características raras: O Contraste: A Importância de Saber Escolher Quando confrontamos esta Era de Ouro com anos mais desafiadores, como 2023 e 2024, a importância de saber a safra se torna crucial: Perfil de Safra Vinhos (Ex: 2018 a 2022) Vinhos Desafiadores (Ex: 2023, 2024) Objetivo Colecionar e guardar para longo prazo. Consumir jovem (prontos para beber) ou exigir seleção rigorosa. Valor de Mercado Maior valorização e liquidez futura. Tendência a manter um valor estável ou desvalorizar após o lançamento. Risco Baixo, a qualidade está assegurada. Alto, a qualidade é desigual devido a problemas climáticos. Colecionar Memórias: A Razão Final para Guardar Comprar vinhos dessas safras excepcionais é mais do que um investimento; é a compra de uma cápsula do tempo para celebrar o futuro. Um vinho de uma safra histórica (como 2018 ou 2019) tem a força e a complexidade para evoluir. Quando for aberto daqui a 10 ou 20 anos com alguém especial, ele contará a história de todo esse tempo, tornando-se o presente perfeito que você preparou para os grandes momentos e para as pessoas que você ama. A Prova da Excelência: Os Vinhos de 100 Pontos A qualidade destas safras foi confirmada pelos principais críticos, que premiaram diversos rótulos com a nota máxima de 100 pontos. Safra Vinho & Região Crítico 2021 Viña Seña (Vale do Aconcágua, Chile) James Suckling (JS) 2021 Finca Piedra Infinita Gravascal (Vale de Uco, Argentina) Robert Parker (RP) 2020 Albert Mann Pinot Noir Alsace Grand H (Alsácia, França) James Suckling (JS) 2019 Beaulieu Vineyard Georges de Latour (Napa Valley, EUA) James Suckling (JS) 2019 Finca Piedra Infinita Supercal (Vale de Uco, Argentina) Robert Parker (RP) 2018 Château Trotanoy Pomerol (Bordeaux, França) James Suckling (JS) 2018 Finca Piedra Infinita Gravascal (Vale de Uco, Argentina) Robert Parker (RP) Vinhos de Excelência Máxima (95 a 99 Pontos) Safra Vinho & Região Crítico / Pontuação 2022 Don Melchor (Puente Alto, Chile) Guia Descorchados (99 pts.) 2021 Château Palmer (Margaux, Bordeaux) Decanter (98 pts.) 2021 Catena Zapata Adrianna Vineyard River (Mendoza, Argentina) Robert Parker (98 pts.) 2020 Sassicaia (Bolgheri, Itália – Supertoscano) Wine Spectator (98 pts.) 2019 Ornellaia (Bolgheri, Itália – Supertoscano) Robert Parker (98 pts.) 2019 Almaviva (Maipo, Chile) James Suckling (98 pts.) 2018 Château Haut-Brion (Pessac-Léognan, Bordeaux) Wine Spectator (98 pts.) 2018 Vega Sicilia Único (Ribera del Duero, Espanha) Guia Peñín (97 pts.) Conclusão: Para construir uma adega de longevidade e valor, a escolha é clara: concentre seus investimentos nas safras 2018, 2019, 2021 e 2022! Agora só os vinhos do Novo Mundo. O Guia Descorchados é o mais importante para a América do Sul! Ele é a referência máxima para a região e está devidamente integrado na lista. Expandi a seleção para incluir vinhos de pontuação igual ou superior a 94 pontos (para destacar os verdadeiros ícones) das safras 2018 a 2022 para cada rótulo icônico das regiões do Novo Mundo. Pra você se guiar em sua compra, no Sam’s Club ou no exterior, aqui está o guia completo de vinhos de elite (94+ pontos) dessas regiões: Guia de Vinhos de Elite (94+ Pontos) por Região Região Vinho Ícone Safra Crítico / Pontuação 1. 🇦🇷 América do Sul Argentina Catena Zapata Adrianna River Stones 2019 Robert Parker (RP) 99 pts Argentina Achaval Ferrer Finca Altamira Malbec 2019 Guia Descorchados 98 pts Chile Viña Seña (Cabernet Sauvignon Blend) 2021 James Suckling (JS) 99 pts Chile Viñedo Chadwick (Cabernet Sauvignon) 2021 James Suckling (JS) 99 pts Brasil Casa Valduga Quatro (Tannat/Cab. Franc) 2018 Guia Descorchados 94 pts 2. 🇺🇸 Estados Unidos Napa Valley, CA Screaming Eagle Cabernet Sauvignon 2019 Críticos Diversos 99-100 pts Napa Valley, CA Hundred Acre Kayli Morgan Vineyard 2019 Robert Parker (RP) 99 pts Napa Valley, CA Beaulieu Vineyard Georges de Latour 2019 James Suckling (JS) 99 pts 3. 🇦🇺 Austrália Multi-Regional Penfolds Grange (Shiraz) 2019 Wine Spectator (WS) 98 pts Eden Valley Henschke Hill of Grace Shiraz 2018 Robert Parker (RP) 99 pts 4. 🇳🇿 Nova Zelândia Central Otago Felton Road Block 3 Pinot Noir 2021 Bob Campbell MW 97 pts Martinborough Ata Rangi Pinot Noir 2019 Robert Parker (RP) 97 pts 5. 🇿🇦 África do Sul Swartland Sadie Family Columella (Syrah Blend) 2018 Tim Atkin MW 97 pts Stellenbosch Kanonkop Paul Sauer (Bordeaux Blend) 2020 Tim Atkin MW 97 pts 6. 🇬🇷 Grécia Santorini Estate Argyros Cuvée Monsignori (Assyrtiko) 2018 Decanter 97 pts Naoussa Kir-Yianni Ramnista Xinomavro 2019 Wine Advocate 94 pts 7. 🇱🇧 Oriente Médio (Líbano/Israel) Líbano Château Musar Red (Grand Vin) 2018 Decanter 94 pts Israel Golan Heights Yarden Cabernet Sauvignon 2019 Wine Spectator 94 pts Nota: Alguns vinhos icônicos (como Château Musar) possuem um longo tempo de guarda e só são lançados anos após a colheita, o que explica por que a safra 2018 (ou mais recente) pode ser a mais atual avaliada por críticos internacionais no momento da publicação. Vinhos Tintos Brasileiros com Alta Pontuação e os Espumantes Brasileiros Mais Bem Avaliados. O desempenho dos vinhos brasileiros 90 pontos de safras recentes no Guia Descorchados.Quem é atendido por mim no Sam’s sabe de … Ler mais

Vinho Sem Álcool: Prazer Saudável ou uma Bomba de Aditivos? Descubra o que os códigos INS escondem.

O vinho novo que jesus formou tinha álcool? O contexto é um dos momentos mais humanos e simbólicos dos Evangelhos: as Bodas de Caná, descritas em João 2:1-11. O Contexto Social Jesus, sua mãe (Maria) e seus discípulos foram convidados para um casamento em Caná, na Galileia. Naquela época, os casamentos judeus eram celebrações grandiosas que duravam até sete dias. O vinho não era apenas uma bebida; era o símbolo máximo da alegria e da hospitalidade. O Problema: O Fim do Vinho No meio da festa, o vinho acabou. Para a família dos noivos, isso era um desastre social e uma vergonha pública imensa (algo que poderia ser lembrado pela comunidade por décadas). A Intervenção de Maria Maria percebe o problema e diz a Jesus: “Eles não têm mais vinho”. A resposta de Jesus parece um pouco distante no início (“Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora”), mas Maria, consciente da gravidade da situação o indaga: “Mas então quando será chegada a hora?. Jesus percebe a aflição no coração de sua mãe e decide intervir, e com total confiança, Maria diz aos serventes a frase que ficou para a história: “Fazei tudo o que ele vos disser.” O Milagre Técnico Havia ali seis potes de pedra usados para a purificação ritual dos judeus. Cada um levava entre 80 a 120 litros. Jesus ordena que os encham de água e, em seguida, que levem um pouco ao mestre-sala (o organizador da festa). A Surpresa do Mestre-Sala Ao provar, o mestre-sala fica chocado. Ele chama o noivo e diz algo que conecta muito com o que discutimos sobre a qualidade dos vinhos: “Todos servem primeiro o vinho bom e, quando os convidados já beberam muito, servem o inferior; mas tu guardaste o melhor vinho até agora!” O vinho milagroso e seus detalhes técnicos: Foi o “primeiro sinal” de Jesus, e é muito simbólico que ele tenha escolhido uma festa e uma bebida que celebra a vida para manifestar seu poder pela primeira vez. Vinhos sem álcool: tudo o que você precisa saber. Agora vou contar a história da técnica de desalcoolização do vinho, depois explicar como é feito o espumante sem álcool (ou “vinho espumante desalcoolizado”) é um produto que começa como um vinho normal, mas passa por um processo para remover o álcool, mantendo o máximo possível de sabor, aroma e textura. Vamos por partes. Quando tudo começou? Você acha que vinho sem álcool é uma “modinha” recente da Freixenet? Achou errado! A história é muito mais antiga e começou na Alemanha, mais de um século antes da gigante espanhola entrar no jogo. Vamos de fio sobre os verdadeiros pioneiros? O mestre original: Carl Jung Jr. (Alemanha, 1908). Muito antes de qualquer tecnologia moderna, ele patenteou a destilação a vácuo. O segredo? Reduzir a pressão para o álcool evaporar em temperaturas baixas, sem “cozinhar” o vinho e preservando os aromas. O cara era um visionário! Avançando para 1985: surge a Ariel Vineyards (EUA). 🇺🇸 Eles provaram que vinho sem álcool podia ser bom, ganhando medalhas em competições contra vinhos com álcool! Usaram a tecnologia de osmose reversa, elevando o patamar da categoria mundialmente. E o Brasil não ficou de fora! Em 2004, a vinícola paranaense La Dorni lançou o primeiro vinho desalcoolizado brasileiro. Enquanto muitos torciam o nariz, eles já estavam de olho no público que não pode ou não quer consumir álcool. Pioneirismo nacional! Antes da Freixenet (2011), outros gigantes já dominavam: 🔹 Bodegas Torres (2008): Lançou o Natureo na Espanha, um dos mais vendidos do mundo. Ver preço. 🔹 Lancers (2009): A José Maria da Fonseca lançou o Lancers Free em Portugal usando a avançada “spinning cone column”. Esta tecnologia é muito usada tanto para desalcoolizar o vinho quanto para fazer o posto: vinhos mais concentrados e alcoólicos. Aquele vinho de 15% de graduação pode não ter sido filtrado ou ter sido elaborado com esta técnica. A União Europeia restringiu seu uso, mas flexiblizou em 2007, o que não acontece nos demais continentes. Austrália, que inventou a técnica, a utiliza, o que explica seus vinhos super concentrados. Ver mais no glossário. A Freixenet popularizou a categoria globalmente em 2011, mas a estrada foi pavimentada por esses especialistas. Menos álcool, mas com muita história e tecnologia (e menos INS 220, já que sem álcool, o desafio da conservação é outro nível!). 1. Todos os ‘vinhos’ sem álcool são realmente vinhos? Sim e não. Visto isso, vamos aos principais produtores de vinhos sem álcool do país. 1. La Dorni (Bandeirantes, PR) Como bem pontuei, a La Dorni é a pioneira absoluta. Eles utilizam um processo de desalcoolização por destilação a vácuo ( ver adiante em “o método Freixenet”) que permite que o álcool evapore em temperaturas muito baixas. 2. Vinícola Aurora (Bento Gonçalves, RS) A Aurora entrou recentemente com força nesse mercado com uma tecnologia própria que segue o princípio da destilação em baixa temperatura, mas também mantém sua linha de sucos gaseificados para não perder parcela significativa do mercado. Compare: Característica Destilação a Vácuo Simples Evaporação Fracionada Aromas Parte se perde no processo. São capturados e devolvidos ao final. Sabor Pode parecer mais “plano” ou “curto”. Mais fiel ao vinho original. Complexidade Equipamento mais simples e barato. Alta tecnologia e maior custo de produção. Uso de MCR Geralmente alto para mascarar perdas. Pode ser menor, pois o aroma original ajuda. 3. Vinoh (Bento Gonçalves, RS) Esta é uma marca brasileira dedicada exclusivamente a vinhos desalcoolizados. Eles utilizam processos físicos (destilação a vácuo e, em alguns lotes, osmose reversa) para garantir que o perfil sensorial do vinho (aroma e sabor) seja preservado. Antes de retirar o álcool, o processo é idêntico ao de um espumante com álcool: Ou seja, primeiro ele é realmente um espumante “com álcool”. Compare: Vinícola Tecnologia Característica Principal La Dorni Destilação a Vácuo Pioneira, foco em polifenóis e vinhos encorpados. Aurora Evaporação Fracionada Uso de ciência de leveduras (manoproteínas) para repor o corpo. Vinoh Destilação Física Marca especializada apenas em 0.0% … Ler mais