
Agora você vai entender o porquê determinado vinho lhe dá dor de cabeça e outro não. Isso “é raro, mas acontece muito”. O que realmente acontece é que você é alérgico(a) a alguns vinhos e pensa que é a todos. Muita gente deixa de degustar vinhos tintos ou brancos, e até determinados alimentos, por sentir enxaqueca, você vai continuar a ter dores de cabeça, mas vai entender o porquê.
Reconhece algum desses sintomas?
| Código INS | Nome Comum | Sintomas: Dor e Mal-Estar | Correlação com Alergias |
| INS 220 a 228 | Sulfitos | A famosa “dor de cabeça de vinho”. Causa pressão intracraniana e latejamento logo após o consumo. | Alta. Gatilho para asma, rinite e urticária. O corpo libera histamina, simulando uma reação alérgica clássica. |
| INS 211 | Benzoato de Sódio | Irritação gástrica intensa, náusea e sensação de “estômago pesado”. Pode causar confusão mental leve. | Moderada. Associado à urticária e edema (inchaço), especialmente em quem já tem alergia a aspirina. |
| INS 621 | Glutamato Monossódico | “Síndrome do Restaurante Chinês”: dor de cabeça pulsante, suor frio e aperto no peito. | Hipersensibilidade. Não é uma alergia mediada por IgE, mas uma intolerância neurológica ao excesso de sódio excitatório. |
| INS 102 | Tartrazina (Corante Amarelo) | Mal-estar geral e fadiga. | Crítica. Um dos maiores alérgenos da indústria. Causa desde coceira até crises de asma e hiperatividade em crianças. |
| INS 150d | Caramelo IV | Sede excessiva e dor de cabeça por desidratação (devido aos resíduos de amônia e sulfitos). | Baixa. Mais ligada a problemas digestivos e inflamação intestinal do que alergia cutânea. |
Por que isso acontece?
- Liberação de Histamina: Aditivos como os Sulfitos (INS 220) impedem a degradação da histamina no seu corpo. O excesso de histamina no sangue dilata os vasos cerebrais — daí a enxaqueca — e causa coriza ou pele avermelhada.
- O Efeito Acumulativo: Muitas vezes o consumidor não é alérgico a um aditivo isolado, mas sofre com o “Efeito Coquetel”. Quando você mistura o álcool (que já sobrecarrega o fígado) com o INS 211 e o INS 202, o corpo prioriza metabolizar o álcool, deixando os aditivos circulando por mais tempo, o que prolonga o mal-estar.
- Vinhos Desalcoolizados: A vantagem aqui é que, ao remover o álcool, o fígado tem “caminho livre” para processar os conservantes. No entanto, se o vinho 0.0% tiver excesso de sulfitos para compensar a falta do álcool, a dor de cabeça em pessoas sensíveis aparecerá da mesma forma.
Dica do Negão: Se você sente o nariz entupir ou a bochecha esquentar logo na primeira taça, você provavelmente tem sensibilidade ao INS 220. Procure vinhos com a inscrição “Baixo teor de sulfitos” ou vinhos orgânicos certificados.
Checklist: O teu corpo é sensível aos aditivos do vinho?
Se sentes algum destes sintomas logo após as primeiras taças (mesmo em vinhos sem álcool), o culpado pode não ser a bebida, mas sim os códigos INS no rótulo. Faz o teu diagnóstico:
- [ ] Nariz entupido ou coriza imediata?
- Culpado: INS 220 a 228 (Sulfitos). Eles provocam uma reação alérgica que inflama as mucosas nasais.
- [ ] Bochechas vermelhas e quentes (Flushing)?
- Culpado: Sulfitos ou excesso de Histamina. O teu corpo está a ter dificuldade em processar os conservantes, dilatando os vasos sanguíneos faciais.
- [ ] Dor de cabeça “latejante” nas têmporas?
- Culpado: INS 220. A sensibilidade aos sulfitos é a causa nº 1 de enxaquecas em apreciadores de vinho branco e espumantes.
- [ ] Enjoo ou “peso” no estômago (sem ter bebido muito)?
- Culpado: INS 211 (Benzoato de Sódio). Este conservante, comum em bebidas mais baratas ou licores, irrita a parede gástrica.
- [ ] Sede excessiva e boca muito seca?
- Culpado: INS 150d (Caramelo IV) ou excesso de açúcar/MCR. Estes componentes exigem muita água para serem processados pelo metabolismo.
- [ ] Aperto no peito ou palpitações?
- Culpado: INS 621 (Glutamato). Pode aparecer em coquetéis prontos ou vinhos de baixíssima qualidade como realçador de sabor.
Dica do Negão:
“Se você marcou mais de dois itens, prefere vinhos com a menção ‘Baixo teor de sulfitos’ , como os vinhos orgânicos, ou procura marcas que utilizam a tecnologia de Evaporação Fracionada (leia mais na minha postagem sobre “VINHOS SEM ÁLCOOL“), que permite manter a pureza do vinho com menos intervenção química agressiva.”
O que é INS?
É o Sistema Internacional de Numeração (INS). Ele é a “identidade” dos aditivos alimentares. Ele foi criado para facilitar a comunicação global, já que nomes químicos como Carboximetilcelulose Sódica, que são um trava língua em qualquer idioma. O INS 220 é o que você encontra no contra rótulo dos vinhos, ele é o dióxido de enxofre que serve pra matar bactérias que podem prejudicar a vida útil dos vinho e alimentos.
Você pode baixar a lista completa, formato PDF, em Arquivos, no menu do blog.
Aqui estão os aditivos mais comuns que você provavelmente encontra no rótulo do seu suco, biscoito ou refrigerante:
1. Corantes (Série 100).
Dão cor ou restauram a aparência visual do alimento.
INS 102 (Tartrazina): Um corante amarelo muito comum em salgadinhos e refrigerantes cítricos. É um dos mais debatidos por estar associado a reações alérgicas em pessoas sensíveis.
INS 150a a 150d (Caramelo): O famoso corante da Coca-Cola e de vários molhos. O “d” (caramelo IV) é o mais processado e usado em bebidas gaseificadas.
2. Conservantes (Série 200).
Evitam que o alimento estrague por fungos ou bactérias.
INS 211 (Benzoato de Sódio): Muito usado em refrigerantes e sucos para impedir o crescimento de leveduras.
INS 202 (Sorbato de Potássio): O “rei” dos conservantes em iogurtes, queijos e pães de forma, por ser muito eficaz contra mofos.
3. Antioxidantes (Série 300).
Impedem que o alimento oxide (fique rançoso ou mude de cor com o ar).
INS 300 (Ácido Ascórbico): Nada mais é do que a Vitamina C. É usado para evitar que frutas em conserva escureçam.
INS 330 (Ácido Cítrico): Encontrado naturalmente em limões, é usado tanto para dar um sabor azedinho quanto para conservar.
4. Espessantes e Estabilizantes (Série 400).
Dão textura, “corpo” e impedem que os ingredientes se separem.
INS 412 (Goma Guar): Extraída de um feijão, dá cremosidade a sorvetes e molhos.
INS 415 (Goma Xantana): Muito usada em produtos sem glúten para dar elasticidade à massa.
5. Realçadores de Sabor (Série 600).
Não têm gosto de nada sozinhos, mas fazem o cérebro “amar” o sabor do alimento.
INS 621 (Glutamato Monossódico): O famoso “tempero japonês”. Ele ativa o gosto Umami e é a base de quase todos os salgadinhos de pacote e caldos em cubo.
Como ler o rótulo rapidamente?
| Função | Prefixo Comum | Exemplo de Alimento |
| Corar | 100-199 | Balas, gelatinas, margarina |
| Conservar | 200-299 | Pães, embutidos, refrigerantes |
| Azedar/Acidular | 300-399 | Sucos em pó, bebidas esportivas |
| Texturizar | 400-499 | Maionese, sorvete, geleia |
Dica do Negão: Ver um código INS não significa que o alimento é “veneno”. Muitos são extraídos de fontes naturais (como o INS 160a, que é o betacaroteno da cenoura). O segredo é o equilíbrio e observar se você tem sensibilidade específica a algum deles.
Vinhos tintos têm menos conservantes que brancos e espumantes, por que?
Vinhos brancos e espumantes geralmente contêm níveis mais elevados de aditivos, especialmente de sulfitos (INS 220), em comparação aos tintos.
A razão não é a preferência do enólogo, mas a própria “arquitetura” química de cada tipo de uva. Aqui estão os três motivos principais:
1. A Proteção Natural dos Taninos
A maior diferença entre tintos e brancos é o contato com a casca da uva durante a fermentação.
- Vinhos Tintos: São fermentados com as cascas, que são ricas em polifenóis e taninos. Os taninos são antioxidantes e conservantes naturais potentes. Eles “lutam” contra o oxigênio e as bactérias, exigindo menos ajuda química externa.
- Vinhos Brancos: Geralmente não têm contato com a casca. Sem essa “armadura” de taninos, o vinho branco fica extremamente vulnerável à oxidação (escurecimento) e à degradação bacteriana. Por isso, precisa de mais INS 220 (Dióxido de Enxofre) para não estragar.
2. A Sensibilidade Aromática
Os vinhos brancos são valorizados pelo frescor e pelos aromas primários (flores, frutas cítricas, frutas tropicais). Esses compostos aromáticos são muito voláteis e sensíveis.
- O oxigênio é o maior inimigo desses aromas. Para manter o vinho branco “vivo” e com cor clara, é necessário uma dose maior de INS 300 (Ácido Ascórbico/Vitamina C) e sulfitos para sequestrar qualquer molécula de oxigênio que entre na garrafa. No tinto, a oxidação moderada é muitas vezes desejada para amaciar os taninos; no branco, ela é um defeito.
3. O Açúcar Residual e a Estabilidade
Muitos vinhos brancos (especialmente os suaves e alguns espumantes) mantêm uma quantidade de açúcar residual para equilibrar a acidez, em resumo, apenas saiba que vinhos doces precisam de doses muito maiores de aditivos INS.
- Açúcar + Umidade = Banquete para leveduras.
- Para evitar que o vinho comece a fermentar novamente dentro da garrafa (o que faria a garrafa explodir ou o vinho ficar turvo), o enólogo precisa usar o INS 202 (Sorbato de Potássio). Como vinhos tintos secos raramente têm açúcar residual, eles dispensam esse aditivo.
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Fontes:
Legislação e Identificação de Aditivos (INS)
- ANVISA – Gerência de Alimentos: Aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia https://www.gov.br/anvisa/pt-br/setoratuante/alimentos/aditivos-alimentares
- Codex Alimentarius – International Numbering System for Food Additives (Class Names and the International Numbering System for Food Additives – CXG 36-1989) https://www.fao.org/fao-who-codexalimentarius/sh-proxy/en/?lnk=1&url=https%253A%252F%252Fworkspace.fao.org%252Fsites%252Fcodex%252FStandards%252FCXG%2536-1989%252FCXG_036e.pdf
- Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) – Decreto nº 8.198/2014 (Regulamentação do Vinho e Derivados no Brasil) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/decreto/d8198.htm
História e Pioneirismo (Carl Jung Jr.)
- Carl Jung Wines – History of Alcohol-Free Wine (Site Oficial da Vinícola Alemã) https://www.carl-jung.de/en/history
- Google Patents – Carl Jung Patent: Process for the manufacture of non-alcoholic wine (1908) https://patents.google.com/patent/US1083935
Tecnologias de Desalcoolização (Física e Química)
- OIV (International Organisation of Vine and Wine) – Dealing with dealcoholization of wines (Code of Oenological Practices) https://www.oiv.int/standards/code-of-oenological-practices
- Food Chemistry Journal – Impact of dealcoholization on wine phenolic compounds and aroma https://www.sciencedirect.com/journal/food-chemistry
- Vintech – Spinning Cone Column Technology for Aroma Recovery https://www.vintech.com/spinning-cone-column/
Saúde e Alergias aos Aditivos
- World Health Organization (WHO) – Food Additives: Safety and Health Effects https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/food-additives
- Journal of Allergy and Clinical Immunology – Sensitivity to Sulfites in Food and Beverages https://www.jacionline.org
Marcas e Casos de Estudo
- Freixenet Global – Technical Sheets for 0.0% Alcohol-Free Range https://www.freixenet.com
- Vinícola La Dorni – Processo de Elaboração de Vinhos Desalcoolizados (Pioneirismo Brasil) https://www.ladorni.com.br