Vou explicar as diferenças entre o Pêra Manca e o Cartuxa Reserva, onde será lançado e se ele foi bebido por Pedro Álvarez Cabral no brasil.
Finalmente a nova safra!
A safra mais recente do vinho Pêra Manca Tinto disponível para lançamento e venda é a de 2019 (a anterior foi a 2018)
A Adega Cartuxa (Fundação Eugénio de Almeida) anunciou o lançamento desta nova colheita agora, outubro de 2025.
O lançamento, pela primeira vez fora de Portugal, será no Rio de Janeiro.
Será na Mercearia da Praça, no dia 10 de novembro de 2025.
As vagas para o jantar são limitadas, com reservas pelo telefone (21) 3986-1400 e WhatsApp: (21) 97565-0774. O preço é R$ 590 + 10%.
O endereço é Rua Jangadeiro 28, Praça General Osório, Ipanema.
Informações Importantes sobre o Pêra Manca Tinto:
- Safra Mais Recente: 2019.
- Produtor: Adega Cartuxa (Fundação Eugénio de Almeida).
- Lançamento: O vinho passa por um processo de estágio prolongado (em barrica e depois por anos na garrafa nas caves do Convento da Cartuxa). Por isso, ele é lançado no mercado vários anos após a vindima (colheita da uva). A safra 2018 foi lançada cerca de seis anos após a colheita.
- Disponibilidade: Por ser um vinho de produção limitada e apenas em anos excepcionais, a disponibilidade no mercado é sempre restrita.
Como o Pêra Manca é um vinho icônico e de colecionador, as garrafas das safras anteriores (como 2018 e 2015) ainda são comercializadas em lojas especializadas e leilões, mas a safra mais nova é, de fato, a 2019.
Pêra Manca produzido pela Casa Agrícola José Soares.
A Casa Agrícola José Soares é fundamental na história do vinho Pêra Manca.
O Papel Histórico da Casa Agrícola José Soares
O nome Pêra Manca tem uma história que remonta à Idade Média, ligado aos frades do Convento do Espinheiro (perto de Évora), mas a Casa Agrícola José Soares é a responsável por resgatar e solidificar a marca na era moderna antes da Adega Cartuxa (Fundação Eugénio de Almeida) assumir.
Aqui está o resumo do papel da Casa Agrícola José Soares:
- Resgate e Consolidação (Século XIX): Após um período em que a produção do vinho de Pêra Manca havia cessado ou diminuído, a próspera Casa Agrícola José Soares, de propriedade do Conselheiro José António d’Oliveira Soares, recuperou o nome e transformou o Pêra Manca em um vinho sofisticado e de prestígio no século XIX e início do século XX.
- Fim da Produção: A produção pela Casa Agrícola José Soares cessou por volta de 1920, após a morte do proprietário e devido à grande crise da filoxera (praga que devastou vinhedos europeus no século XIX e início do XX).
- A Transição para a Cartuxa: O herdeiro da extinta Casa Soares, José António de Oliveira Soares (com o mesmo nome do pai), ofereceu a marca Pêra Manca gratuitamente à Fundação Eugénio de Almeida (Adega Cartuxa) em 1987. A única condição era que o nome Pêra Manca fosse usado apenas para os melhores vinhos produzidos pela Fundação.
Portanto:
A Casa Agrícola José Soares foi a grande responsável por firmar o Pêra Manca como um rótulo de excelência na história vinícola portuguesa moderna, servindo como o elo entre a tradição medieval e a produção contemporânea de altíssima qualidade feita pela Adega Cartuxa.
O Impacto da filoxera na Casa Agrícola José Soares
A crise da Filoxera, combinada com outros fatores (como a morte do proprietário Conselheiro José António d’Oliveira Soares em 1920), tornou inviável manter a produção do Pêra Manca:
- Destruição das Vinhas: As vinhas que produziam as uvas para o Pêra Manca foram infectadas e destruídas, forçando a Casa Agrícola a parar.
- Crise Generalizada: O colapso do mercado e a dificuldade de replantar novas vinhas com sucesso levaram ao abandono ou à venda de muitas propriedades vinícolas.
A Solução (e o Legado)
A única solução encontrada, que salvou a viticultura mundial, foi a enxertia:
- Videira Americana + Casta Europeia: Os produtores descobriram que as raízes das videiras americanas eram resistentes à Filoxera. A solução foi enxertar as castas europeias (Vitis vinifera) — como a Trincadeira e a Aragonez, usadas no Pêra Manca — nos porta-enxertos (raízes) americanos resistentes.
Após a crise, a Adega Cartuxa (que recebeu a marca Pêra Manca em 1987) pôde replantar os vinhedos usando essa técnica, garantindo a continuidade da produção do vinho lendário.
Portanto, a Filoxera não só encerrou a era da Casa Agrícola José Soares na produção do Pêra Manca, como reescreveu a maneira como o vinho é produzido em quase todo o mundo.
A origem do nome.
‘As pedras que balançam.”
“Pêra vem de pedra e o manca é uma referência as cercanias de Évora, que é uma zona de base granítica, com afloramentos rochosos de granito de grande dimensão, que muitas vezes tem uma base de ligação ao solo diminuta para o tamanho da pedra e por ilusão de ótica parecem estar oscilantes”, explica Pedro Baptista, enólogo do Pêra-Manca.
Pedro Álvarez Cabral trouxe o Pêra Manca para o Brasil?
Essa é uma das lendas mais famosas e fascinantes da história do vinho português no Brasil, contada no próprio site da Fundação Eugênio Almeida.
O que une o vinho Pêra Manca e o navegador Pedro Álvares Cabral é uma lenda histórica muito difundida, ligada à Era dos Descobrimentos.
A Lenda do Pêra Manca e a Descoberta do Brasil
A narrativa histórica popular diz que o Pêra Manca, um vinho já renomado em Portugal no século XVI, era o vinho de eleição (ver glossário no final da postagem) transportado nas naus de Pedro Álvares Cabral.
- O Brinde do Descobrimento: Reza a lenda que o Pêra Manca foi o vinho usado para selar o encontro com os povos indígenas quando os portugueses chegaram ao Brasil em 1500, sendo mencionado inclusive nas crônicas da época (como a carta de Pero Vaz de Caminha, embora o nome específico do vinho possa ser objeto de debate histórico).
- Vinho de Prestígio: O fato de o Pêra Manca ser um vinho de excelência, citado em cartas e crônicas do período, reforça a ideia de que, se alguma bebida alcoólica de alto valor acompanhava a frota real, seria uma com essa reputação.
- Símbolo de Portugal: Essa ligação histórica transformou o Pêra Manca em um símbolo de excelência e tradição em Portugal, e especialmente no Brasil, onde ele é um dos vinhos alentejanos mais desejados e valorizados.
O Que é o Pêra Manca Hoje?
- Raridade: A produção é extremamente limitada e só ocorre em anos de qualidade excepcional. Por isso, as garrafas são raras e atingem preços altos no mercado.
- O Vinho: É um blend de castas tradicionais, notadamente Trincadeira e Aragonez (Tinto), e é conhecido por sua longevidade, frescura e complexidade, com grande potencial de guarda. Elaborado com as videiras mais velhas e das melhores parcelas.
Em suma, a conexão entre Pêra Manca e Pedro Álvares Cabral é uma rica e poderosa lenda que consolidou o vinho como um ícone histórico e de luxo, especialmente para o público brasileiro.
Gostaria de saber mais sobre as características atuais do vinho Pêra Manca tinto ou branco? Comente.
Pêra Manca x Cartuxa Reserva: diferenças entre os ícones.
| Característica | Pêra Manca Tinto |
|---|---|
| Status de Produção | Vinho de Exceção. Produzido apenas em safras extraordinárias (muito raro). |
| Concentração & Corpo | Máxima Concentração. Enorme corpo, denso e imponente. |
| Perfil Aromático | Complexidade Extrema. Fruta negra madura, notas terrosas, alcaçuz, tabaco e mineralidade. |
| Taninos & Estrutura | Taninos Poderosos. Muito firmes na juventude. Exige anos de garrafa para amaciar. |
| Madeira (Carvalho) | Estágio de 18 meses em carvalho francês (tonéis novos e usados). |
| Potencial de Guarda | Ultra-Longa Guarda (30 anos ou mais). Feito para a posteridade. |
| Característica | Cartuxa Reserva Tinto |
|---|---|
| Status de Produção | Vinho de Prestígio. Produzido em todas as safras, sendo o topo em anos sem Pêra Manca. |
| Concentração & Corpo | Alta Concentração. Corpo robusto, porém mais acessível na juventude. |
| Perfil Aromático | Elegante e Profundo. Fruta madura, especiarias doces, notas tostadas do carvalho novo (café, chocolate). |
| Taninos & Estrutura | Taninos Robutos, mas Polidos. Estrutura elegante, mais fino e aveludado após o estágio. |
| Madeira (Carvalho) | Estágio de 15 meses em barricas novas de carvalho francês. |
| Potencial de Guarda | Longa Guarda (10-20 anos). Desenvolve-se muito bem com o tempo. |
Como o Pêra Manca é feito: ficha técnica.
Vinificação
Produzido a partir das castas Aragoneze Trincadeira, cuidadosamente colhidas e selecionadas. As uvas são provenientes de talhões elegidos nas vinhas com mais de 30 anos, nos quais a maturação ocorre suavemente, sem stress hídrico exagerado, mantendo as potencialidades aromáticas e de extrato próprio das castas. Ao atingirem o estado de maturação ideal, as uvas são colhidas e transportadas para a adega, onde se inicia o processo tecnológico, com desengace total, criteriosa escolha ópticae ligeiro esmagamento. A fermentação ocorre em balseiros de carvalho francês com temperatura controlada, seguida de maceração pós-fermentativa prolongada. Estágio de dezoito meses em tonéis de carvalho francês, a que se seguiu estágio em garrafa nas caves do Mosteiro da Cartuxa. Este vinho não foi submetido a estabilização tartárica.
Temperatura de serviço
16ºC a 18ºC
Equipa de Enologia
Pedro Baptista
Duarte Lopes
5 anos e meio para o Pêra Manca ficar pronto.
O período de estágio (ou envelhecimento) em garrafa do vinho Pêra Manca Tinto nas caves do Mosteiro da Cartuxa (Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli) é de aproximadamente 48 meses, o que equivale a quatro anos.
Essa é uma etapa crucial que contribui para o seu status de vinho de exceção:
- Estágio em Barrica: O vinho estagia primeiro cerca de 18 meses em tonéis (ou balseiros) de carvalho francês.
- Estágio em Garrafa (Repouso): Em seguida, ele passa por um período de repouso mínimo de 48 meses (quatro anos) em garrafa nas caves.
Esse longo período de descanso em garrafa antes do lançamento é o que permite que os taninos, que são robustos devido à alta qualidade da fruta e da madeira, se arredondem e que o vinho desenvolva toda a sua complexidade, frescura e potencial aromático, tornando-o suave e elegante para o consumo, apesar da sua juventude em termos de capacidade de guarda.
Será que podemos esperar produção da safra 2020? Veja as tabelas de safras em
Arquivos.
Todas as safras do Pêra Manca.
1990, 1991, 1994, 1995, 1997, 1998, 2001, 2003, 2005, 2007, 2008, 2010, 2011, 2013, 2014, 2015, 2018 e 2019.
Glossário.
A expressão “vinho de eleição” é uma maneira formal e elogiosa de dizer que um vinho é:
- O Preferido, o Escolhido: Significa que o vinho é o predileto, o que tem a preferência de alguém ou de um grupo de pessoas, sendo escolhido acima de todos os outros.
- De Altíssima Qualidade e Prestígio: Indica que o vinho é considerado de primeira linha, com uma reputação de excelência.
No contexto da história, quando se diz que o Pêra Manca era o “vinho de eleição” de Pedro Álvares Cabral ou dos navegadores, isso quer dizer que ele era:
- O vinho mais fino e prestigioso que podiam levar.
- O vinho que seria servido em ocasiões importantes para brindar ou selar acordos (como a chegada ao Brasil).
A palavra “eleição” aqui remete ao ato de escolher cuidadosamente o melhor.
Em resumo, “vinho de eleição” significa o vinho preferido, de excelência e altíssimo padrão.
Fontes:
https://www.clubeperamanca.pt/pera-manca-tinto-2018-doc-alentejo-evora/