Members Mark Crianza


Faltou ele na postagem sobre os vinhos Members Mark, o grandioso, o meu precioso: o Members Mark Espanha. O melhor (disparado) até agora a chegar no Sam’s Club Brasil.
Faltava eu encontrar uma garrafa para eu poder ler o contra rótulo e descobrir quem era a vinícola. O vinho já estava em falta há semanas, chegou, mas no frenesi de avisar os sócios que esperavam o rótulo, abastecer a adega, montar ilhas, etcetera, acabei esquecendo de ao menos fotografar o contra rótulo de uma das garrafas.
Mas enfim, lembrei-me de que eu tenho uma garrafa guardada pra degustar com dos sócios e é por causa dela que vamos conhecer mais sobre este rótulo fantástico.

Quem é o produtor?
Selenvisa, que tem o nome fantasia Carlos Serres – este muita gente que gosta de vinhos espanhóis já conhece, são os rótulos que unem custo e benefício: são baratos e entregam o que se espera de um bom Tempranillo.

O vinho.
É um Crianza de Rioja.
O que é um Crianza?
Crianza= criação.
É como a língua espanhola define o período em que o vinho (ou qualquer outra bebida) amadurece em barricas. Por isso vemos alguns em alguns rótulos espanhóis, uruguaios, argentinos, etcetera, com a descrição “Criado en Roble” como este Monte Toscanini Tannat. Um dos melhores vinhos que já degustei, criado por 15 meses.


2 anos para fazer um Crianza.
Em algumas regiões da Espanha o Crianza é proibido de ser vendido antes do início do segundo ano após sua colheita: Rioja, Ribera del Duero e Toro.
Rioja e Ribera del Duero:
2 anos: 12 meses em carvalho + 12 meses em garrafa.
Toro:
2 anos: 6 meses em carvalho+ 18 meses em garrafa.
Valdepenas e demais regiões: não há uma definição clara sobre o assunto e portanto o período de Crianza varia de acordo com o produtor.
Lembro que foi a Espanha primeira país a colocar as palavras RESERVA e GRAN RESERVA nos rótulos e a primeira a legislar sobre elas. Lá é o único país em que essas palavras são levadas a sério.

O terroir.
A Denominação de Origem Qualificada (DOCa) Rioja, na Espanha, é uma região vinícola complexa e diversificada, dividida tradicionalmente em três sub-regiões principais, cada uma com características de terroir distintas que influenciam o estilo dos vinhos. São elas: Rioja Alta, Rioja Alavesa e Rioja Oriental (anteriormente conhecida como Rioja Baja).
Em 1970 Rioja se tornou a primeira  Denominação de Origem – DOC da Espanha e em 1991 tornou-se também a primeira Denominação de Origem Qualificada (DOCa) do país. Até hoje só existem duas regiões na Espanha com este título: Rioja e Priorat, sendo que a sigla em Priorat é Denominação de Origem Qalificada – DOQ (em catalão não tem o “u” em Qualificada).


Minha opinião sobre as DOCs.
A legislação espanhola é a mais rigorosa do mundo e merece uma postagem só sobre ela. Farei em breve. Por enquanto, não se preocupe com essa sopa de letrinhas, já que elas ajudam mas não determinam qualidade superior, exemplo disso são:
os “SUPER TOSCANOS” da Itália, que não têm DOC e até pouco tempo não tinha NADA que indicasse a qualidade de seus terroirs, ou seja, tinham a mesma denominação que qualquer vinho de mesa barato do país: nenhuma. Até que os legisladores decidiram criar a sigla IGT – Indicação Geográfica Típica.
Ribera del Duero é denominação da região de Castilla y León. É apenas uma jovem DO – Denominação de Origem (aprovada em 1982), mas é lá que são produzidos os mais icônicos e mais caros vinhos da Espanha: Vega Sicília Único (primeiro lugar em prestígio)e o Dominio de Pingus.
Toro também é DO, apenas, e é de lá o quarto em preço e status da Espanha, o Teso La Monja.


O vinho mais caro do mundo é o espanhol AurumRed, de uma região que ninguém ouviu falar: Las Pedroñeras, que como os super toscanos no passado, não tem nem DO. Coloquei o link da vinícola abaixo.
https://aurumred.com/gold-series/

Rioja se divide em 3 sub-regiões: Rioja Oriental, a antiga Rioja Baixa (Rioja Baja), Rioja Alavesa e Eioja Alta..
Rioja Oriental
Mudou o nome por questões de marketing, visto que “baixa” em nada combina com a qualidade de seus vinhos. O “baixa” era usado por causa das diferenças nas altitudes dos vinhedos: a região é a mais baixa e tem mais planícies desérticas.
Como você pode ver no mapa, é a parte mais interiorana de Rioja, mais continental, por isso tem menos influência dos ventos frios do oceano Atlântico e com isso ela é mais quente e desértica. Os solos são tipicamente mais argilosos e férricos, com uma presença significativa de aluvião devido à proximidade com o rio Ebro e seus afluentes. São solos mais profundos e ricos em nutrientes em comparação com os solos pobres e calcários da Rioja Alavesa e Rioja Alta. A capacidade de retenção de água desses solos é maior, o que é uma vantagem em um clima mais seco e quente.
Suas videiras amadurecem mais rápido que nas outras duas partes de Rioja, proporcionando vinhos encorpados com muita fruta madura. Principais castas: Tempranillo e Garnacha.
Fiz essa montagem pra ajudar a localizar as três Riojas dentro da Espanha. Repare que a região fica no mesmo paralelo da região mais quente da França: Roussillon (sul da França) , e a mais fria de Portugal: Vinho Verde (Noroeste de Portugal).

Rioja Alavesa.
É a mais próxima do oceano, mas ao norte é protegida pela Serra da Catambria, uma cadeia montanhosa que mantém o calor continental sob a região. Solos calcários e pobres, que forçam as videiras a irem fundo com suas raízes atrás de nutrientes, altitude que proporciona vinhos frescos (boa acidez) como os vinhos na costa dos Andes do Chile e Argentina.
Principais uvas: Tempranillo, Garnacha e Mazuelo (Carignan).

Vou focar na Rioja Alta, onde se localiza a cidade Haro, casa de nossa querida Carlos Serres.
Rioja Alta
Localização: Situada na parte ocidental da região de Rioja, principalmente a oeste da cidade de Logroño. O nome “Alta” refere-se à sua altitude média mais elevada.
Altitude: Geralmente mais alta que a Rioja Oriental, com vinhedos localizados em encostas e altitudes que contribuem para um clima mais fresco.
Clima: Mais influenciada pelo clima Atlântico, com maior pluviosidade e temperaturas mais amenas. Isso resulta em um amadurecimento mais lento das uvas.
Solos: Predominantemente argilo-calcários, com presença de ferro e aluvião. Esses solos são pobres e bem drenados, forçando as videiras a aprofundar suas raízes, o que é benéfico para a qualidade.
Principais Uvas: Predominância da Tempranillo, que encontra aqui seu ambiente ideal para expressar elegância e estrutura. Garnacha (Grenache) também é cultivada, mas em menor proporção.
Estilo dos Vinhos: Vinhos geralmente mais elegantes, complexos, com boa acidez e potencial de guarda.
Aromas de frutas vermelhas mais frescas, notas balsâmicas, tabaco, especiarias e baunilha (devido ao envelhecimento em carvalho).
Taninos finos e bem integrados.
Considerada a sub-região que produz os vinhos mais clássicos e tradicionais da Rioja.


A vinícola Selenvisa (Carlos Serres) é vizinha da Muga, que faz vinhos que se você ainda não degustou, não morra sem fazê-lo. Outras grandes vinícolas também estão em Haro, o TripAdvisor fez uma lista das 15 principais. Clique aqui para visitar o site.

Ou clique aqui para visitar o mapa interativo gerado por IA.

Haro
Pra entender este terroir que pouca gente conhece, pesquisei sobre duas famosas regiões portuguesas que ficam no mesmo paralelo para contextualizar Haro.
Vamos detalhar as informações sobre Haro, na Espanha, e suas particularidades, comparando seu índice pluviométrico com duas regiões portuguesas.
Apesar de desconhecida para nós brasileiros, Haro é uma cidade histórica emblemática na região da Rioja Alta e é considerada um dos corações históricos e qualitativos da viticultura da Rioja.


Clima de Haro:
O clima em Haro é predominantemente Atlântico-Continental. Isso significa:
Verões: Quentes, mas moderados, com dias ensolarados e noites mais frescas, o que contribui para uma boa amplitude térmica diária. Essa variação de temperatura é crucial para o amadurecimento lento e equilibrado das uvas, preservando a acidez e desenvolvendo aromas complexos.
Invernos: Frios e úmidos, com possibilidade de geadas e neve.
Primavera e Outono: Tendem a ser estações mais úmidas e amenas.
Influência do Rio Ebro: A proximidade com o rio Ebro ajuda a moderar as temperaturas extremas.
Proteção da Sierra de Cantabria: Embora mais distante do que na Rioja Alavesa, a Sierra de Cantabria ao norte ainda oferece alguma proteção contra os ventos frios do Atlântico, embora a influência atlântica seja mais sentida aqui do que na Rioja Oriental.


Solo de Haro:
Os solos em Haro são característicos da Rioja Alta, predominando:
Argilo-calcários: Uma mistura de argila e calcário (giz). O calcário proporciona boa drenagem e retém a água nas camadas mais profundas, essencial em períodos secos. Também contribui para a elegância e a mineralidade dos vinhos.
Ferroso-argilosos: Em algumas áreas, há presença de óxido de ferro, que confere uma coloração avermelhada ao solo e pode adicionar um toque de caráter mineral aos vinhos.
Aluvião: Perto do rio Ebro, solos mais aluviais podem ser encontrados, mas a predominância é dos solos calcários nas encostas.
Pobres e Bem Drenados: São solos geralmente pobres em matéria orgânica, o que estressa as videiras de forma controlada, levando à produção de uvas com maior concentração e qualidade.

Índice Pluviométrico Anual: Haro vs. Vinho Verde e Alentejo (Portugal)
É importante notar que os índices pluviométricos podem variar anualmente, mas apresentaremos médias para uma comparação geral.


Haro (Rioja Alta, Espanha):
Média Anual: Aproximadamente 400 – 500 mm.
Característica: Clima relativamente seco para a viticultura europeia, o que é benéfico para evitar doenças fúngicas e concentrar os frutos. É bem parecido com o Vale do Casablanca, Chile, famoso pelos seus vinhedos orgânicos e biodinâmicos graças a seu índice pluviométrico: 450 mm a 542 mm por ano.

O sistema de condução mais comum é o

Condução: Gobelet





Vinho Verde (Portugal)

A região do Vinho Verde em Portugal possui características únicas que a diferenciam de outras áreas vinícolas do país e do mundo. O seu nome não se refere à cor do vinho, mas sim à juventude, frescor e à paisagem verdejante da região.

Clima e Geografia

A região do Vinho Verde, localizada no noroeste de Portugal, é fortemente influenciada pelo clima atlântico.

  • Elevado Índice Pluviométrico: É uma das regiões vinícolas mais úmidas da Europa, com uma grande quantidade de chuva, principalmente no inverno. Essa umidade exige um manejo cuidadoso das vinhas para evitar doenças fúngicas. Média Anual de Chuvas: Varia significativamente dentro da região, mas pode ir de 1000 mm a mais de 1500 mm, especialmente nas zonas mais costeiras e montanhosas.
  • Temperaturas Amenas: As temperaturas são mais baixas do que no sul de Portugal, com invernos chuvosos e verões quentes, mas não escaldantes. A proximidade com o Oceano Atlântico também contribui para a brisa fresca, o que é ideal para a preservação da acidez nas uvas.
  • Solos: Os solos são predominantemente graníticos e ácidos, com grande fertilidade.

Viticultura e Estrutura da Região

A viticultura no Vinho Verde é marcada pela tradição e, em alguns casos, pela modernidade.

  • Vinhas Elevadas: Historicamente, as vinhas eram plantadas em estruturas altas (enforcado), subindo por árvores ou postes. Essa prática ajudava a proteger os bagos da umidade do solo e permitia o cultivo de outras plantas na parte de baixo. Atualmente, a maior parte da produção comercial utiliza sistemas de condução mais baixos (cordão), que facilitam o manejo e aumentam a qualidade da uva.
  • Fragmentação de Propriedades: A região é caracterizada por um grande número de pequenas propriedades familiares, o que torna a produção mais fragmentada, embora haja vinícolas e cooperativas maiores que compram uvas dos pequenos produtores.
Condução: ENFORCADO

Conclusão.

Aprendemos hoje que o índice pluviométrico é decisivo na escolha do sistema de condução das videiras, e que o sistema de condução é decisivo na saúde das uvas e em sua maturação. Climas úmidos: uvas mais distantes do solo. Climas secos: uvas mais próximas do solo.

Sobre Haro, os espanhóis a chamam de capital do vinho de Rioja. É um terroir abençoado que além da Carlos Serres abriga as mais tradicionais e conceituadas vinícolas da Espanha.

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Eduardo Sabino

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Natural do Rio de Janeiro, 55 anos. Formado pela Associação Brasileira de Sommelier – ABS-RJ e pela Wine and Spirits Education Trust – WSET2.

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