“Eu voltei. Agora pra ficar.”
Depois de uma semaninha afastado por licença médica, voltei ao trabalho com aquela sensação de quem ficou fora por um mês. A adega me esperava… meio abatida, coitada. As prateleiras andaram mais vazias do que o normal, e os rótulos pareciam me olhar com cara de “cadê você, chefe?”.
Meus colegas, claro, se esforçaram — e eu agradeço de coração. Mas vamos combinar: vinho tem personalidade, e cada garrafa pede um tipo de cuidado que só quem vive o dia a dia da adega entende. É quase como cuidar de um aquário cheio de peixes exóticos… só que os “bichinhos” aqui são de vidro e álcool.
Agora, estou naquele modo turbo: correndo pra repor o estoque, revisar pedidos, colocar cada vinho no seu devido lugar. É uma maratona etílica — sem taça no final, infelizmente. Já voltei no olho do furação: todos os vinhos entraram em promoção ao mesmo tempo, o pessoal do Clique e Retire (e-commerce) no meu pé. Mas já fui surfista, sei que tem que remar mais forte quando a série entra, senão toma na cabeça.
Mas nada que um bom café (ou um bom chá no fim do expediente) não resolva. Aos poucos, tudo vai voltando ao normal. A adega vai recuperando o brilho, e eu também.
Porque, no fim das contas, cuidar de vinhos é isso: um trabalho de paciência, amor e um toque de loucura — exatamente como a vida. 🍇
Vinhos do Negão — onde cada garrafa tem uma história.